Com eleições próximas, governo da Índia busca conquistar eleitores rurais

Por Manoj Kumar

NOVA DÉLHI (Reuters) - O governo da Índia tentará atrair os eleitores rurais e pequenos empresários quando anunciar o orçamento 2018/19 na quinta-feira, além de buscar recuperar um sentimento positivo com a economia do país, à medida que se aproxima a temporada de eleições no país, disseram autoridades.

O primeiro-ministro Narendra Modi, que tem enaltecido a Índia como um modelo de crescimento econômico e abertura política, disse ao Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada que o país pode ser uma economia de 5 trilhões de dólares até 2025, mais que o dobro de seu tamanho atual.

Mas em casa Modi enfrenta um descontentamento dos eleitores devido à queda dos rendimentos de agricultores e a falta de empregos para centenas de milhares de jovens que entram para a força de trabalho todos os meses.

Neste mês, o governo reduziu sua estimativa para o crescimento do PIB no ano encerrado em março de 2018 para 6,5 por cento, o ritmo mais fraco em quatro anos. O crescimento desacelerou devido à caótica implantação de uma taxa sobre bens e serviços nacional (GST, na sigla em inglês) no ano passado e um surpreendente movimento para banir notas de dinheiro de alto valor no fim de 2016.

A aliança governista de Modi passou raspando por uma eleição em seu estado natal, Gujarat, no mês passado, e agora enfrentará eleições em oito Estados ao longo de 2018, além de uma eleição geral que deve ocorrer em maio do ano que vem.

O ministro das Finanças, Arun Jaitley, provavelmente aumentará o financiamento dos programas rurais existentes, como um programa de garantia de empregos, domicílios rurais e seguro para colheitas no que será o último orçamento anual completo antes da eleição geral.

As propostas são um segredo bem guardado, mas uma autoridade do ministério das Finanças com conhecimento direto das discussões disse que "a maior prioridade do governo é criar empregos e impulsionar o crescimento".

"O orçamento provavelmente oferecerá incentivos ao setor agrícola e pequenos negócios", acrescentou a fonte.

Os pequenos negócios formam o núcleo da base do partido de Modi, Bharatiya Janata, e eles estão sofrendo com a implementação da GST, com seus incômodos procedimentos de compliance e a política de desmonetização que retirou dinheiro do sistema.  

Jaitley também deve manter em curso um plano gigantesco para construir rodovias, modernizar estradas e acabar com os gargalos de infraestrutura que têm há tempos prejudicado a terceira maior economia da Ásia.   

Já em novembro, quando começou a elencar suas prioridades, Jaitley disse em conferência com líderes do governo e da indústria que "as duas áreas para se concentrar no próximo orçamento são a Índia rural e o desenvolvimento da infraestrutura".

O crescimento da Índia deve acelerar para 7,4 por cento em 2018, contra os 6,6 por cento da China, disse o FMI este mês, com os efeitos da reforma fiscal e da desmonetização desaparecendo gradualmente.

Mas o espaço para a expansão fiscal permanece limitado em um momento em que o déficit orçamentário indiano deve romper a meta de 3,2 por cento do PIB no atual ano fiscal pela primeira vez em cinco anos.  

"Dentro do contexto de fraco crescimento econômico, nós acreditamos que Jaitley enfrenta um difícil equilíbrio de apoiar o crescimento seu comprometer significativamente a prudência fiscal (o que poderia levar a uma maior inflação e potencialmente aumentar taxas de juros)", disse o Goldman Sachs em um relatório sobre o orçamento a ser aprovado.

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