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Evento da chancelaria russa vira palco de troca de acusações entre Rússia e Reino Unido

21/03/2018 17h09

Por Andrew Osborn e Maria Tsvetkova

MOSCOU (Reuters) - O Reino Unido acusou Moscou nesta quarta-feira de manter um programa de assassinatos para eliminar seus inimigos, e a Rússia disse que o próprio Reino Unido pode ter orquestrado o envenenamento do ex-agente duplo russo Sergei Skripal e sua filha Yulia na Inglaterra.

Nas cenas incomuns vistas durante um evento no Ministério das Relações Exteriores russo em Moscou, à qual compareceram dezenas de diplomatas estrangeiros e que foi transmitida pela televisão estatal, os dois lados trocaram acusações contundentes em reação ao ataque com um agente nervoso.

O ataque na cidade inglesa de Salisbury provocou a pior crise entre Londres e Moscou desde a Guerra Fria. O Reino Unido culpou a Rússia pelo ataque, que Moscou nega, e ambos expulsaram diplomatas na sequência.

A Rússia organizou o evento desta quarta-feira para explicar sua postura e não demorou a alegar que ou o próprio Reino Unido orquestrou o ataque direta ou indiretamente, ou permitiu que um "ataque terrorista" ocorresse em solo britânico.

"Ninguém entende o que aconteceu em Salisbury", disse Vladimir Yermakov, diplomata que presidiu o evento, a diplomatas estrangeiros. "Vamos investigar o que realmente aconteceu."

Sua própria opinião, disse, é que o envenenamento foi uma ação preconcebida para prejudicar a Rússia.

A diplomata britânica Emma Nottingham contra-argumentou que Londres concluiu ser "altamente provável" que Moscou tenha estado por trás da tentativa de assassinato dos Skripal por quatro razões.

"A identificação do agente químico, feita por nossos cientistas de renome mundial, nosso conhecimento de que a Rússia produziu anteriormente este agente... o histórico da Rússia na condução de assassinatos patrocinados pelo Estado... e nossa avaliação de que a Rússia vê traidores como alvos legítimos", disse.

Muitos embaixadores, entre eles do Reino Unido, da França, da Alemanha e dos Estados Unidos, boicotaram o evento de Moscou, enviando funcionários menos graduados.

Países ocidentais de peso criticaram a Rússia e ofereceram apoio ao Reino Unido. O presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega francês, Emmanuel Macron, reiteraram sua solidariedade com Londres em um telefonema nesta quarta-feira e "concordaram sobre a necessidade de agir para responsabilizar a Rússia", informou a Casa Branca.

O Reino Unido diz que o Novichok, um agente nervoso de uso militar desenvolvido pela União Soviética, foi usado no ataque, mas Emma Nottingham disse que a Rússia não soube explicar como ele foi da Rússia para a Inglaterra.

"Vocês não têm vergonha de si mesmos?", indagou Yermakov. "Afastem-se um pouco de sua russofobia e de sua mentalidade insular."

(Reportagem adicional de Denis Pinchuk em Moscou e Doina Chiacu em Washington)