Forças israelenses matam dois palestinos perto da fronteira com Gaza em dia de enterro de manifestantes

Nidal al-Mughrabi

Em Gaza

Por Nidal al-Mughrabi e Dan Williams

FRONTEIRA GAZA-ISRAEL (Reuters) - Forças israelenses mataram mais dois palestinos perto da fronteira de Gaza com Israel, nesta terça-feira, depois que centenas de palestinos comparecerem aos funerais de alguns dos 60 manifestantes mortos por tropas de Israel na véspera, disseram autoridades locais de saúde.

A quantidade de manifestantes reunidos na fronteira nesta terça-feira era significativamente menor do que na segunda-feira. Aparentemente muitos foram para funerais em vez de retornarem ao cenário da violência ocorrida no dia mais sangrento para os palestinos desde a guerra de Gaza de 2014.

Centenas marcharam no funeral de Leila al-Ghandour, uma bebê de oito meses cujo corpo estava enrolado em uma bandeira palestina.

"Deixe ela ficar comigo, é cedo mais para ela ir", chorava sua mãe, pressionando o corpo da bebê ao seu. A família disse ela morreu após inalar gás lacrimogêneo.

Mais de 2.200 palestinos também ficaram feridos por armas de fogo ou gás lacrimogêneo, disseram médicos locais.

Os episódios de violência de segunda-feira na fronteira ocorreram enquanto os Estados Unidos inauguravam sua nova embaixada em Jerusalém, o que enfureceu os palestinos. Nas últimas seis semanas, palestinos têm realizado protestos na fronteira de Gaza pedindo o retorno de refugiados para áreas que agora fazem parte de Israel.

Israel rejeita qualquer direito de retorno, temendo que tiraria do Estado sua maioridade judaica.

Autoridades médicas palestinas dizem que 107 moradores de Gaza foram mortos até agora desde o início dos protestos, e quase 11 mil pessoas ficaram feridas, cerca de 3.500 atingidas por armas de fogo. Autoridades israelenses contestam esses números. Nenhuma morte israelense foi reportada.

    Líderes palestinos qualificaram os eventos de segunda-feira como um massacre, e a tática israelense de usar munição letal contra os manifestantes provocou repúdio no mundo todo.

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) convocou uma reunião para discutir a situação.

    Israel disse estar agindo em legítima defesa para proteger suas fronteiras e comunidades. Os EUA, seu maior aliado, apoiaram tal posição, e ambos disseram que o Hamas, o grupo islâmico que comanda o enclave litorâneo, instigou a violência.

    O Exército de Israel disse que ao menos 24 dos mortos de segunda-feira eram "terroristas com histórico documentado de terrorismo", e a maioria era de membros ativos do Hamas.

Na manhã desta terça-feira, pessoas em luto marcharam por Gaza levando bandeiras palestinas e clamando por vingança.

"Com almas e sangue nós consagramos vocês mártires", gritavam.

A data de 15 de maio é tradicionalmente o dia que palestinos marcam a "Nakba", ou Catástrofe, quando centenas de milhares de palestinos fugiram ou foram expulsos de seus lares em episódios de violência que culminaram em uma guerra entre o recém-criado Estado judeu e seus vizinhos árabes naquele mesmo ano.

A Turquia expulsou o embaixador de Israel e Israel expulsou o cônsul-geral turco em Jerusalém. O presidente Tayipp Erdogan trocou farpas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pelo Twitter. Os palestinos convocaram seu representante em Washington a voltar, citando a decisão da embaixada.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos