Itália: eleitores desaprovam rejeição do voto popular em escolha de chefe de governo

O novo primeiro-ministro italiano, Carlo Cottarelli, 63 anos, apresenta nesta terça-feira (29) sua equipe de ministros formada por técnicos que não fazem parte da cena política. Se o novo executivo não obtiver o apoio do Parlamento, os italianos devem voltar às urnas em setembro.

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Segundo as primeiras pesquisas, cerca de 65 % dos italianos estão insatisfeitos com a decisão do presidente da República, Sergio Matarella, que rejeitou o voto popular e o governo proposto pelos populistas da Liga e do Movimento 5 Estrelas.

Os dois partidos venceram as eleições legislativas e defendiam que Paolo Savona fosse o ministro da Economia. Ele é conhecido por ser extremamente crítico ao euro e contrário ao rigor imposto pelo governo da Alemanha.

A escolha incomodou o presidente Matarella, que viu no economista Carlos Cottarelli sua única alternativa. No entanto, esse governo formado por técnicos e comandado por Cottarelli, ex-diretor executivo do FMI para Itália durante 30 anos, pode gerar ainda mais instabilidade política caso ele não obtenha o voto de confiança do Parlamento.

Na Câmara dos Deputados, Cottareli precisará de 316 votos a favor, e no Senado 161. A única bancada favorável é a do Partido Democrático e não é suficiente. O primeiro-ministro designado já declarou que, sem apoio, vai convocar eleições a partir de setembro. Enquanto isso, a Liga e o Movimento 5 Estrelas convocaram manifestações em todo o país para o próximo final de semana.

Mercado reage com ceticismo

Nesta manhã, os mercados reagiram mal. A diferença entre os rendimentos dos títulos com vencimento em 10 anos na Itália e Alemanha, chamado "spread", alcançou 260 pontos, o maior nível desde novembro 2013. A Bolsa de Valores de Milão abriu em baixa.

A preocupação dos mercados com a situação política na Itália pesa também no valor da moeda europeia: o euro perde em relação ao dólar. Os mercados asiáticos estão interpretando a situação política italiana como um referendo para sair da zona do euro. Esta hipótese provoca desconfiança nos investidores e abala outros países europeus, onde os juros também dispararam para títulos de longo prazo.

O objetivo do presidente Matarella é acalmar os mercados e realizar uma reforma financeira necessária para que a Itália coloque suas contas em ordem. Porém, sem o voto de confiança do parlamento, os economistas acreditam que haverá um aumento do imposto sobre o valor agregado, o IVA, que hoje na Itália é de 22% e passaria a 24%.

Com o eventual reajuste, o custo de vida dos italianos aumentará e o consumo poderá diminuir, com efeitos sobre a economia do país. O volume de exportações italianas é maior do que as de importações. Mas esta não é a primeira crise política da Itália. Nos últimos 70 anos, o país já trocou 64 vezes o governo. No entanto, é a terceira maior economia da União Europeia. A prioridade é aprovar a lei do orçamento de 2019.

 

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