Presidente de Angola diz que não há perseguição à família de José Eduardo dos Santos

Em entrevista exclusiva à RFI durante sua visita oficial à França, o presidente de Angola, João Lourenço, falou sobre seus projetos para o país, que ele ...

Entrevista de Neidy Ribeiro, enviada especial a Toulouse

Lourenço, do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder há quatro décadas, foi eleito em agosto de 2017, sucedendo José Eduardo dos Santos, que governava o país há 38 anos. Logo em seguida, vários membros da família do ex-presidente perderam seus cargos em estatais.

Menos de três meses após assumir o cargo, o novo líder anunciou a demissão da presidente da companhia petrolífera nacional, Isabel dos Santos, filha do ex-chefe de Estado e símbolo do nepotismo do regime. Na sequência, seus irmãos Welwitshea dos Santos, conhecida por 'Tchizé', e José Paulino dos Santos, foram afastados da gestão do canal 2 da Televisão Pública de Angola (TPA). Em janeiro, foi a vez de José Filomeno, outro filho ex-líder, ser substituído na direção do Fundo Soberano.

Mas para José Lourenço, "não há caça às bruxas e ninguém está a ser perseguido. Estamos a prevenir contra as más práticas". Durante entrevista à RFI, o presidente disse ainda que "não há situações criadas intencionalmente para incriminar quem quer que seja".

O chefe de Estado frisou que a luta contra corruptos é uma de suas prioridades. "O caminho a seguir é o combate contra a corrupção, onde já existe e prevenir onde não existe. Essa vai ser nossa atitude daqui para frente", disse o presidente.

Angola não quer mais depender do petróleo

Lourenço passou três dias na França, em uma viagem marcada pela vontade do novo líder de diversificar a economia do país, que vive principalmente da exploração do petróleo. Nesse âmbito, o chefe de Estado celebrou a assinatura de acordos na área agrícola durante sua estadia.

"Precisamos de investimentos na área da agricultura para reduzir a fome, a pobreza e a miséria. A França é uma potência agrícola na Europa e no mundo, então creio que vamos ganhar bastante com esse acordo", declarou o presidente, sem dar detalhes. Discussões sobre parcerias no setor da defesa e aeronáutica também pontuaram a viagem, mas nenhum contrato foi anunciado oficialmente.

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