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ONG contesta Bolsonaro sobre a situação de imigrantes na França

19/12/2018 16h15

Para o presidente eleito, "a vida em algumas partes da França se tornou insuportável" por causa dos imigrantes. Declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo realizada pelo Facebook na noite de terça-feira (18).   

Para o presidente eleito, "a vida em algumas partes da França se tornou insuportável" por causa dos imigrantes.

Pelas redes sociais, Jair Bolsonaro segue dando pistas de como vai ser o seu governo e a política externa brasileira a partir de 1° de janeiro.

Em relação a política migratória internacional, Bolsonaro citou a França como exemplo de país que estaria sofrendo com a entrada de imigrantes.

"Acho que todos estão vendo o que está havendo na França. Está insuportável viver em alguns locais. Os que foram pra lá, o povo francês acolheu, mas essa gente não abandona suas raízes, seus direitos lá de trás e seus privilégios. A França está sofrendo", resumiu o futuro chefe de Estado. "Nós não queremos isso para o Brasil", afirmou, acrescentando não ser "contra migrantes".

A declaração gerou reações na França. Segundo Pierre Henry, diretor da ONG França Terra de Asilo - que acompanha a inserção social de imigrantes no país europeu - a declaração de Jair Bolsonaro é falsa e não deve desestabilizar os fundamentos da democracia francesa.

"A França é um país que tem orgulho de sua diversidade e unidade. O país continuará a cumprir seu dever de hospitalidade, registrando os recém-chegados de acordo com o nosso pacto de cidadania - respeito às leis e valores da República Francesa, igualdade entre homens e mulheres e laicidade do Estado. O resto não é importante", reiterou o ativista.

O presidente eleito não disse, no caso da França, a qual grupo étnico ou religioso se referia. O território francês recebe há décadas populações muçulmanas, originárias inclusive das ex-colônias francesas no norte da África.

Pacto Global sobre Migração

O ataque de Bolsonaro aos imigrantes na França veio junto com uma declaração de que o futuro governo brasileiro "denunciaria e revogaria" o Pacto Global sobre Migração da ONU, assinado na semana passada em Marrakesh, no Marrocos, por quase 160 países.

"Infelizmente, o Brasil, com o atual ministro das Relações Exteriores - Aloysio Nunes - assinou o pacto. Não somos contra os imigrantes, mas devemos ter critérios muito rigorosos para entrar no Brasil", disse ele.

Bolsonaro repete Donald Trump

Ao exemplo dos Estados Unidos, as decisões de Bolsonaro e do futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, apontam para uma ruptura com a tradição multilateral do Brasil na condução da política internacional. Durante a mesma transmissão ao vivo, o presidente eleito reafirmou que fará o possível "sob a lei e a democracia" contra os governos cubano e venezuelano. 

No final de 2015, ainda durante a campanha presidencial dos EUA, Donald Trump também provocou um alvoroço dizendo que "Paris não é mais a cidade segura que era".

"Há bairros que são radicalizados, onde a polícia se recusa a entrar. Eles estão aterrorizados", disse Trump à epoca.

A RFI Brasil tentou contato com o governo da França, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.