PUBLICIDADE
Topo

Jornais franceses destacam elucidação dos assassinatos de Marielle e Anderson

13/03/2019 11h09

A prisão dos dois ex-policiais suspeitos do duplo assasinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes é relatada pela imprensa francesa. A investigação deu um passo decisivo na terça-feira (12), faltando dois dias para o crime completar um ano, escreve o jornal Libération. A revista L'Express, o jornal Le Monde, a emissora de rádio e TV France Info, enfim, a grande imprensa francesa acompanha o desenrolar do caso.

A prisão dos dois ex-policiais suspeitos do duplo assasinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes é relatada pela imprensa francesa.

"O policial militar reformado Ronie Lessa é suspeito de ter crivado de balas Marielle e Anderson no dia 14 de março de 2018. Já Elcio Vieira de Queiroz, que foi excluído da Polícia Militar, dirigia o veículo que perseguiu o carro onde estava Marielle Franco, depois de participar de uma reunião de militantes no centro do Rio", explica o jornal Libération, com base nas informações divulgadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

O diário lembra que Marielle Franco tinha 38 anos, era homossexual, nascida e criada na favela da Maré. "A vereadora eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), uma formação de esquerda, tinha um forte compromisso de combate ao racismo, à homofobia e à violência policial", descreve. "Seu assassinato provocou uma onda de indignação global e manifestações em massa no Brasil", destaca.

Impunidade

O governo conservador do ex-presidente Michel Temer prometeu concluir a investigação. "Mas foi preciso aguardar um ano, em um país onde a esmagadora maioria dos homicídios permanece impune, para esclarecer parcialmente o caso", afirma a reportagem. Uma vez que o crime foi meticulosamente planejado durante os três meses que antecederam a execução, além da prisão dos supostos autores, a questão da identidade do(s) mandante(s) do "assassinato político" permanece em aberto, acrescenta Libération.

"O Rio de Janeiro tem sido confrontado nos últimos vinte anos com o fenômeno das milícias, grupos de policiais ou ex-policiais que dominam as favelas. Marielle Franco lutou arduamente contra a violência policial e a ação das milícias em áreas pobres da cidade", conclui o texto assinado por François Xavier Gomez. Para o primeiro aniversário de sua morte, na quinta-feira (14), muitos eventos estão sendo planejados em todo o país e no exterior.