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Dinamarca: partido de extrema-direita quer publicar caricaturas de Maomé

30/10/2020 12h00

Um partido dinamarquês de extrema direita anunciou o lançamento de uma campanha para divulgar as caricaturas do profeta Maomé publicadas no jornal satírico Charlie Hebdo e mostradas na sala de aula pelo professor francês Samuel Paty. O educador foi alvo de um ataque terrorista e decapitado nos arredores da escola onde trabalhava, na região parisiense. 

Um partido dinamarquês de extrema direita anunciou o lançamento de uma campanha para divulgar as caricaturas do profeta Maomé publicadas no jornal satírico Charlie Hebdo e mostradas na sala de aula pelo professor francês Samuel Paty. O educador foi alvo de um ataque terrorista e decapitado nos arredores da escola onde trabalhava, na região parisiense.
 

"O assassinato de Samuel Paty está na origem da campanha de apoio à sua família e à luta pela liberdade de expressão", disse nesta sexta-feira (30) Pernille Vermund, presidente do partido anti-imigração Nye Borgerlige (Nova Direita), que detém quatro dos 179 assentos no parlamento dinamarquês.

Em seu site, o partido político lançou uma campanha para "publicar desenhos do Charlie Hebdo em jornais dinamarqueses". Na mídia local, onde os desenhos não foram republicados recentemente, a campanha gerou polêmica.

"Condenamos o terrorismo muçulmano e apoiamos 100% a França, as vítimas e a liberdade de expressão. Não estou totalmente certo de que serão publicadas, mas como política tenho a obrigação de me comprometer para que os avanços da sociedade sejam a favor de uma maior liberdade de expressão, e não menos", afirmou o deputado.

Desenhos foram publicados pela primeira vez em 2006

A primeira publicação de charges de Maomé, há 15 anos, pelo jornal dinamarquês Jyllands Posten, provocou a ira de muitos muçulmanos em todo o mundo e manifestações violentas contra a Dinamarca.

O Islã em sua interpretação estrita proíbe qualquer representação de Maomé. O semanário satírico francês Charlie Hebdo, como outros jornais europeus, publicou os desenhos pela primeira vez em 2006 para defender a liberdade de imprensa.

Em 2015, o Charlie Hebdo foi alvo de um ataque jihadista que matou 12 jornalistas e cartunistas do semanário. Desde então, a França vem sendo alvo de uma série de ataques terroristas, que resultaram na morte de mais de 260 pessoas.