PUBLICIDADE
Topo

Feminicídio na França: sociedade civil pede proibição de armas para agressores domésticos

06/05/2021 14h51

Após o assassinato chocante de uma mulher na cidade de Mérignac, no sudoeste da França, esta semana, a associação de direitos das mulheres Fondation des femmes solicitou ao ministro do Interior que ordene o confisco imediato das armas detidas por homens suspeitos de violência doméstica.

Após o assassinato chocante de uma mulher na cidade de Mérignac, no sudoeste da França, esta semana, a associação de direitos das mulheres Fondation des femmes solicitou ao ministro do Interior que ordene o confisco imediato das armas detidas por homens suspeitos de violência doméstica.

Na terça-feira, em Mérignac, na França, uma mulher de 31 anos foi baleada pelo marido, encharcada de gasolina e incendiada viva.

Ela foi a 39ª vítima de feminicídio na França, apenas este ano. Quase todos os criminosos estavam armados e 13 deles usaram um revólver como arma do crime. O suspeito do caso de Mérignac já havia sido condenado a uma pena de prisão por violência doméstica.

Anne-Cécile Mailfert, presidente do grupo de direitos humanos Fondation des femmes, pediu uma reação rápida do ministro do Interior da França.

"Gérald Darmanin poderia, a partir de amanhã, ordenar o confisco imediato de todas as armas detidas por homens que atualmente são suspeitos de casos de violência doméstica", disse Mailfert a uma rádio francesa, nesta quinta-feira (6).

Femicídio: uma preocupação central

Sublinhando o fato de que 400 pessoas compareceram a Mérignac para prestar homenagem à mulher assassinada, Mailfert disse que a multidão de enlutados provou a importância da questão do feminicídio.

"A violência contra as mulheres, especialmente a violência doméstica, é uma preocupação real", disse ela. "Acho que as pessoas estão preocupadas em ver que as autoridades francesas e os que estão no poder político são incapazes de controlar a situação", disse.

"Depois do debate nacional de 2020 sobre violência doméstica, as coisas melhoraram um pouco. Mas agora, tragicamente, vemos a situação piorar", avaliou.

Mailfert diz que a falha crucial está na supervisão dos suspeitos pelas forças de segurança. Nove dos 39 feminicídios deste ano foram cometidos por homens que já eram suspeitos em um caso anterior.

Proibição de armas - um primeiro passo

Para Mailfert, é difícil entender como o assassino de Mérignac conseguiu estar de posse de uma arma carregada, dado seu complicado histórico de crimes violentos. E ela se pergunta por que ele não foi obrigado a usar uma pulseira eletrônica, que teria informado seu paradeiro à polícia.

"Apenas 40 pulseiras eletrônicas foram aplicadas desde o início deste ano, apesar da lei permitir seu uso. Os estatutos não estão sendo aplicados", afirmou.

Mailfert diz que, diante desses homens extremamente perigosos, o confisco de armas é um primeiro passo necessário. "A vigilância total e o rigor absoluto são necessários para salvar as vidas das mulheres. E temos de usar os meios legais disponíveis".

"O que vimos desde o início deste ano é uma mudança nas prioridades de segurança", continuou ela. "A polícia aloca seu tempo e esforço de acordo com a pressão política. Outras preocupações com a lei e a ordem assumiram a agenda política. E mais mulheres estão morrendo".