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Variante Delta avança na França e deve representar até 90% dos casos na Europa até agosto

24/06/2021 05h27

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, e o ministro da Saúde, Olivier Véran, visitam nesta quinta-feira (24) a região de Landes, no sudoeste do país, onde a Delta já representa 70% dos casos positivos detectados, de acordo com o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, e o ministro da Saúde, Olivier Véran, visitam nesta quinta-feira (24) a região de Landes, no sudoeste do país, onde a Delta já representa 70% dos casos positivos detectados, de acordo com o porta-voz do governo francês, Gabriel Attal.

De acordo com o representante do governo francês, Landes é a única região da França onde a taxa de incidência passou acima dos 50 casos para cada 100 mil habitantes. Existem focos de contaminação em toda a área.

De acordo com a rádio France Bleu Gascogne, 29 casos de Covid-19 foram detectados em um Ehpad, uma casa de repouso medicalizada, apesar da maior parte dos pacientes e dos cuidadores estarem vacinados. Pelo menos 19 das infecções foram causadas pela Delta. Três idosos foram hospitalizados, mas não precisaram ser transferidos para as UTIs.

No total, cerca de 10% dos casos de coronavírus na França são atribuídos, atualmente, à variante Delta, que progride rapidamente no território. A proporção é comparável à observada nos Estados Unidos e na Alemanha, disse o porta-voz francês.

Na terça-feira passada, segundo o ministro da Saúde francês, os testes positivos para a Delta representavam apenas de 2 a 4% dos casos.  Como sempre, existem diferenças entre regiões. Na parisiense, por exemplo, a Delta representa de 12 a 13% dos casos positivos.

A França vive atualmente um recuo da epidemia, com cerca de 10 mil pessoas contaminadas na última semana, de acordo com dados da Agência de Saúde Pública da França publicados nesta quarta-feira (23). Este é o nível mais baixo registrado desde outubro de 2020. Menos de 2 mil pessoas estão internadas nas UTIs dos hospitais.

A evolução por hora favorável da epidemia levou à flexibilização das restrições e à reabertura quase total das atividades e serviços no país, o que deve contribuir para a rápida disseminação da variante que apareceu na Índia e já se espalhou por quase todo o planeta. No Reino Unido ela já é dominante e países como Portugal já se veem confrontados à ameaça de uma nova onda, como em Lisboa, onde a Delta já representa 60% dos casos.

Variante cresce rapidamente na Europa

De acordo com o Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças, a variante Delta, que é cerca de 60% mais contagiosa do que a Alpha, a variante britânica, deve representar, até o final de agosto, cerca de 90% dos casos positivos no continente.

O bloco aposta na vacinação para minimizar o impacto da nova variante, que provocaria, segundo estudos recentes, o dobro de hospitalizações e casos graves. Cerca de 30% dos europeus já estão totalmente vacinados, uma taxa de imunidade insuficiente para proteger a população.

Uma pesquisa que se transformou em uma referência no meio científico, divulgada em maio pelo National Health Service  (NHS), no Reino Unido, que vive uma onda epidêmica causada pela Delta, mostra que duas doses das vacinas Pfizer ou Moderna, que utilizam RNA mensageiro, ou do imunizante da Astra Zeneca, protegem de formas graves da variante, com uma eficácia estimada entre 85% a 90%.

O problema, lembram especialistas, é que alta circulação viral em uma população com número insuficiente de vacinados pode gerar o aparecimento de variantes resistentes aos imunizantes - um cenário temido por cientistas e governos.

(AFP e RFI)