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Caso Pegasus: ministro da Defesa de Israel vem a Paris esclarecer suposta espionagem de Macron

28/07/2021 06h33

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, desembarca em Paris nesta quarta-feira (28) para uma visita de algumas horas à França. Na agenda, apenas um encontro: com a ministra das Forças Armadas francesa, Florence Parly. O assunto da reunião será o escândalo de espionagem internacional que envolve até mesmo o presidente francês, Emmanuel Macron. 

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, desembarca em Paris nesta quarta-feira (28) para uma visita de algumas horas à França. Na agenda, apenas um encontro: com a ministra das Forças Armadas francesa, Florence Parly. O assunto da reunião será o escândalo de espionagem internacional que envolve até mesmo o presidente francês, Emmanuel Macron. 

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Israel

O ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, desembarca em Paris nesta quarta-feira (28) para uma visita de algumas horas à França. Na agenda, apenas um encontro: com a ministra das Forças Armadas francesa, Florence Parly. O assunto da reunião será o escândalo de espionagem internacional que envolve até mesmo o presidente francês, Emmanuel Macron

Segundo a nota oficial do Ministério da Defesa de Israel, o ministro Benny Gantz decidiu fazer a "visita relâmpago" a Paris para realizar "um diálogo estratégico de segurança" com sua colega francesa. Mas a nota oficial cita apenas o motivo mais urgente: discutir com a ministra Florence Parly as circunstâncias que levaram o presidente francês, Emmanuel Macron, a ter que trocar de telefone celular recentemente.

De acordo com o jornal francês Le Monde, o número de telefone de Macron - e de outros membros do governo, como o ex-primeiro-ministro Édouard Philippe - estavam em uma lista de possíveis alvos de espionagem pelo governo do Marrocos em 2019. Para isso os marroquinos estariam usando o software espião Pegasus, vendido pela empresa NSO Group. 

Uma visita do ministro israelense da Defesa a Paris já estava sendo planejada há mais de um mês e a pauta da discussão, naquela época, seria a crise econômica e política no Líbano e o acordo nuclear entre as potências mundiais e o Irã. Gantz e Parly já haviam discutido esses tópicos em uma chamada telefônica. 

Mas ninguém duvida que o caso Pegasus tenha se tornado prioridade no relacionamento diplomático entre França e Israel. Na semana passada, o presidente Macron telefonou diretamente para o primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, exigindo explicações e medidas contra a NSO.

Consequências para Israel

A NSO Group é uma firma privada, não é governamental. Mas o Ministério da Defesa de Israel é responsável por supervisionar as exportações comerciais de tecnologias de vigilância cibernética, que seguem uma cláusula proibindo que os programas sejam usados para esse tipo de espionagem, só contra o terrorismo e a criminalidade.

O governo israelense deixou que a venda do programa fosse realizada e agora está tendo que lidar com as consequências disso. A revelação de que o Pegasus estava sendo utilizado dessa forma é péssima para a imagem de Israel pelo mundo e para o relacionamento diplomático do país com nações amigas.

O caso foi revelado neste mês por 17 organizações de mídia pelo mundo, lideradas pelo grupo de jornalismo sem fins lucrativos Forbidden Stories, com sede em Paris, e a ONG de direitos humanos Anistia Internacional. Os jornais publicaram que o Pegasus foi usado para espionar milhares de pessoas em mais de 50 países, incluindo chefes de Estado, funcionários de governos, políticos, dissidentes, ativistas de direitos humanos, empresários e jornalistas.

O Pegasus pode invadir telefones celulares sem que o dono precise clicar em links ou arquivos, permitindo que os invasores leiam todas as mensagens, rastreiem a localização de um usuário e acessem a câmera e o microfone do telefone. Além do Marrocos, o programa teria sido usado por governos de países como Azerbaijão, Bahrein, Cazaquistão, México, Ruanda, Arábia Saudita, Hungria, Índia e Emirados Árabes.

A NSO se defendeu das acusações dizendo o Pegasus foi criado apenas para uso por agências de inteligência e de segurança pública para combater o terrorismo e a criminalidade, não para espionar líderes como o presidente francês. A empresa nega ter vendido o programa para outros fins e diz que as alegações são "suposições erradas e teorias não corroboradas".

Mas o Ministério da Defesa de Israel já afirmou que a NSO violou os termos de sua licença de exportação e que irá "tomar uma atitude" contra ela. Para tentar diminuir o dano à sua imagem, o governo israelense montou uma equipe interministerial para avaliar o uso indevido do programa de vigilância.

O escândalo provocou complicações diplomáticas não só em relação à França. Na (27), quatro parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos sugeriram que a NSO seja inserida na lista de empresas com as quais os americanos não devem fazer negócios. Eles também destacaram que governos autoritários "não fazem distinção entre terrorismo e dissidência pacífica".

Interesse do governo Bolsonaro no Pegasus

No Brasil, o tema do programa Pegasus se tornou conhecido também por causa da intenção do vereador carioca Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, de adquirir o programa de espionagem. Há poucos meses, uma reportagem do portal UOL afirmou que o vereador carioca teria participado de negociações para que a NSO participasse de uma licitação, marcada para 19 de maio, para a compra de uma ferramenta de espionagem pelo governo brasileiro.

Segundo as fontes do UOL, o envolvimento de Carlos Bolsonaro, sem que fosse algo de sua alçada, teria gerado insatisfação entre militares do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e da Agência Nacional de Inteligência (Abin). Na ocasião, o vereador negou que tivesse articulado qualquer negociação, em meio a alegações de que o governo Bolsonaro estaria interessado em criar uma espécie de agência de inteligência paralela. 

Após a revelação, a NSO acabou desistindo da participar da licitação.