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Protestos contra vacina anticovid crescem e reúnem mais de 200 mil pessoas na França

31/07/2021 15h52

O terceiro sábado consecutivo de manifestações na França contra a vacinação para combater o coronavírus contou com a participação de mais de 204 mil pessoas em todo o país, segundo balanço do Ministério do Interior. Em Paris, quatro cortejos reuniram 14.250 manifestantes, de acordo com as autoridades de segurança da capital. Em vários momentos, a polícia respondeu aos projéteis lançados pelos manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água.

O terceiro sábado consecutivo de manifestações na França contra a vacinação para combater o coronavírus contou com a participação de mais de 204 mil pessoas em todo o país, segundo balanço do Ministério do Interior. Em Paris, quatro cortejos reuniram 14.250 manifestantes, de acordo com as autoridades de segurança da capital. Em vários momentos, a polícia respondeu aos projéteis lançados pelos manifestantes com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água.

O Ministério do Interior registrou 184 protestos em todo o território contra a obrigatoriedade de vacinação contra a Covid-19 para determinadas categorias profissionais e a expansão do passaporte sanitário para a realização de diversas atividades. O documento foi adotado no último domingo pelo Parlamento francês, depois de seis dias de intensos debates.

A adesão às manifestações vem crescendo, já que na primeira delas, há 21 dias, foram registrados 150 mil participantes, passando para 161 mil no sábado passado. Hoje, a marca simbólica de 200 mil pessoas foi superada. Neste sábado, a mobilização envolveu grandes cidades, como Paris, Marselha, Lyon, Bordeaux e Lille, e cidades menores, como Nantes, Rennes, Toulon e Montpellier. 

A dispersão da maior passeata parisiense, que se dirigiu do bairro de Villiers para a praça da Bastilha, foi marcada por tensão entre policiais e manifestantes. Bombeiros intervieram para apagar incêndios em latas de lixo e uma mulher foi atendida por médicos voluntários, notaram jornalistas da AFP. 

De acordo com um balanço provisório comunicado pelo Ministério do Interior, três policiais ficaram feridos, segundo as autoridades de segurança da capital. 

Cartazes virulentos contra Macron e policiais

"Todo mundo odeia a polícia", gritavam alguns manifestantes. Quando o cortejo passou pelas escadarias da Ópera, militantes chamaram os policiais franceses de "putas de Macron". Nos cartazes, eles reivindicam mensagens como "fora Macron", "terror sanitário" e "não ao passaporte sanitário". Também se vê nas ruas frases como "Sou o judeu de Macron, me vacinem contra o fascismo e o capitalismo". A imprensa francesa tem sido hostilizada, com cartazes que trazem inscrições como "Mídia mentirosa" e "Queremos a verdade". 

Os protestos têm sido liderados pela extrema direita, mas também são recuperados pela esquerda radical e por movimentos antissistema - entre eles, o dos coletes amarelos. Os ataques ao governo de Emmanuel Macron, acusado de "ditador", são virulentos.

Na marcha que saiu de Montparnasse, ao sul da capital, o líder do partido de extrema direita Patriotas, Florian Philippot (ex-número 2 da Frente Nacional) estava à frente. A maioria das pessoas estavam sem máscara, empunhavam bandeiras da França e chegaram a rasgar o símbolo da União Europeia.

Jornalistas são insultadas por manifestantes

Duas jornalistas da agência de notícias AFP que cobriam o protesto em Montparnasse foram insultadas por participantes. Elas filmavam a passeata em cima de um banco do mobiliário público quando três ou quatro homens tentaram impedi-las de registrar as imagens e um outro cuspiu nas pernas de uma delas, relatou uma das jornalistas. A AFP decidiu, então, suspender a cobertura desse cortejo.

Mais de 3 mil policiais foram mobilizados para garantir a segurança dos protestos em Paris. Na semana passada, confrontos foram registrados na avenida Champs-Elysées.

Passaporte da discórdia

Uma pesquisa indicou nesta sexta-feira que 40% dos franceses apoiam os protestos contra a instauração do passaporte sanitário, um documento que comprova a vacinação completa ou um teste negativo para o coronavírus. Este atestado agora é exigido no país para a entrada em estabelecimentos culturais e de lazer, e deverá ser ampliado a partir de 9 de agosto para locais como bares e restaurantes. A expectativa  do governo é barrar, pela vacinação, o avanço da variante Delta do coronavírus.

Os manifestantes consideram que as medidas adotadas pelo governo são "liberticidas" e restringem o direito de ir e vir.