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Manter as escolas abertas durante a pandemia foi escolha política, aponta OCDE

O documento apontou ainda que os salários dos professores brasileiros são os mais baixos da lista - iStock
O documento apontou ainda que os salários dos professores brasileiros são os mais baixos da lista Imagem: iStock

Da RFI

17/09/2021 12h48Atualizada em 17/09/2021 13h10

A pandemia de coronavírus levou a graves prejuízos à educação em todos os países em 2020, mas alguns adotaram a escolha política de manterem ao máximo as escolas abertas. Um relatório da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) ressalta que os países desenvolvidos foram melhor sucedidos na questão, ao se esforçarem para implementar condições sanitárias adequadas para a reabertura dos estabelecimentos, principalmente nos primeiros anos da escolarização.

"Todos os países foram afetados, mas houve vontades políticas diferentes. França, Suíça, Luxemburgo, Bélgica e Nova Zelândia são países que tentaram fechar as escolas o mínimo possível. Foi, de certa forma, um sucesso", afirma Eric Charbonnier, analista da direção de Educação e Competências da organização, baseada em Paris.

Nos países que mantiveram as escolas fechadas por menos tempo nos picos da epidemia de coronavírus, o cancelamento das aulas presenciais oscilou entre 24 e 50 dias. Já naqueles em que fechamento foi mais prolongado, a medida ultrapassou 175 dias, praticamente seis meses sem aulas presenciais. Foi o caso de México (superior a 210 dias no ensino básico), Polônia, Costa Rica e Colômbia - que estão entre os menos desenvolvidos do grupo. O estudo O Estado da Educação Global - 18 meses na pandemia contemplou o período de março de 2020 a maio de 2021.

Desigualdades

A média nos 37 países-membros da OCDE foi de 55 dias de fechamento das pré-escolas e 78 dias no ensino fundamental. No Brasil, parceiro e candidato a membro da organização, mesmo os anos iniciais da escolaridade foram fortemente atingidos, com cerca de 140 dias de portas fechadas.

Entre os países desenvolvidos, também houve disparidades nesta escolha, observa o relatório. Israel e Áustria optaram por cerca de 100 dias de aulas somente à distância no ensino básico. A França é um dos grandes países com forte incidência da covid-19 que insistiu na decisão de manter os estabelecimentos quase sempre abertos - foram apenas 34 dias de fechamento para os menores de 11 anos. No ensino médio, a média da OCDE foi de 101 dias sem aulas presenciais.

"Na França, muita gente queria que as escolas fechassem, mas o ministro da Educação aguentou [a pressão]. Foi um bom ponto e foi necessário, afinal a França é um dos países mais desiguais em termos de educação, entre os membros da OCDE", comentou o especialista, em entrevista à RFI hoje.

"Há uma verdadeira fratura entre os países da OCDE, que nos leva a uma reflexão porque o fechamento das escolas criou perda de aprendizado, agravou as desigualdades. É por isso que temos de nos esforçar hoje e fazer com que os alunos menos favorecidos possam recuperar esse atraso", frisa Chabonnier.

Brasil foi um dos únicos a não aumentar verba da Educação

Este estudo foi publicado no mesmo dia em que o relatório detalhado Olhares sobre a Educação 2021 foi divulgado pela organização. Nesta análise mais ampla, que inclui políticas educacionais, a OCDE observou que o Brasil foi um dos poucos países, da lista de 40 avaliados, a não aumentar os recursos para a educação em meio à pandemia. Os gastos públicos para a pasta se estabilizaram em 4% do PIB, mesmo percentual de antes da chegada do coronavírus.

A decisão vai no sentido oposto ao da maioria dos países analisados. "Cerca de dois terços dos países membros e parceiros da OCDE relataram aumentos no orçamento destinado às escolas de ensino fundamental para ajudá-las a lidar com a crise em 2020", explicou o estudo. A maioria deles elevou os gastos educacionais nos dois anos consecutivos de pandemia, para gastos como apoio para o ensino à distância, medidas de segurança sanitárias nas salas de aula, máscaras e álcool em gel para professores e funcionários, entre outros investimentos fundamentais para uma volta às aulas com menos riscos.

O documento apontou ainda que os salários dos professores brasileiros são os mais baixos da lista - inferiores aos mexicanos, chilenos e colombianos, que fazem parte da entidade internacional. A remuneração inicial anual dos professores no Brasil é de apenas US$ 13,9 mil dólares anuais, contra mais de US$ 20 mil em economias como Colômbia, Chile e Grécia.