"O ciclismo profissional de estrada no Brasil está morto", lamenta brasileiro Nícolas Sessler

Começa neste domingo (3) a 19ª edição do Tour of Britain de ciclismo, em que os atletas vão pedalar por mais de 1.300 km, divididos em 8 etapas entre as cidades de Altricham e Caerphilly, onde devem chegar em 10 de setembro. Animado com resultado em sua última competição, o brasileiro Nícolas Sessler participa de mais este desafio com a equipe Global 6 Cycling.

Marco Martins, da RFI

O atleta concorreu em agosto na 84ª edição da Volta a Portugal Continental e foi o único brasileiro a participar da prova. O paulista de 29 anos não escondeu sua satisfação ao cruzar a linha de chegada. "Sensação de dever cumprido, gostoso de terminar, cansado e com vontade de voltar para a casa. Foi a primeira vez que eu corri a 'Grandíssima', e terminar já era um objetivo", vibra o ciclista.

Mais do que participar da prova pela primeira vez, esta foi, para ele, a oportunidade de assumir um outro papel dentro do seu grupo. "Há muito tempo que eu já corro como ciclista profissional, e às vezes você assume muito esse papel de gregário, que se coloca à disposição da equipe justamente para estar presente nas fugas, e você esquece de você mesmo. E todo ciclista, em algum momento, aprendeu a ganhar e tem esse saborzinho de ver a vitória de perto", ele descreve.

 

Sessler conquistou o 25° lugar na classificação geral individual, além de ter sido o 5° colocado na sexta etapa, o que, em sua opinião, "é consequência de uma prova bem feita". Competindo pela neozelandesa Global 6 Cycling pela terceira vez, o atleta conta as vantagens e desafios de estar em uma equipe internacional.

"É muito curioso porque é uma equipe em que temos ciclistas de todos os continentes. Tem eu do Brasil, tem um sul-africano, um francês, norueguês, japonês, canadense, neozelandeses, ou seja, uma mistura de culturas, um de gente de todos os lados. E é legal e complicado ao mesmo tempo, porque essas diferenças culturais às vezes geram conflitos, mas também é um aprendizado de vida e uma oportunidade de criar contatos e fazer amigos ao redor do mundo", conta Sessler. 

Brilho nos olhos

Para aqueles que ensaiam as primeiras pedaladas e querem chegar ao pódio, Sessler divide as dicas de quem já tem muitos quilômetros sobre duas rodas. "Você nunca deve começar no esporte pensando em ganhar dinheiro ou pensando que isso vai ser o futuro. Um dia, se você tiver sorte suficiente, talento e estiver no lugar certo e na hora certa, você vai transformar sua paixão em um trabalho. Mas quando a sua paixão se transforma em trabalho, você passa a ter uma cobrança, e é muito fácil perder esse brilho nos olhos. Aproveito cada dia e não perdi o brilho. A essência de andar de bicicleta como uma criança ainda existe."

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Mas o ciclista lamenta que, apesar da paixão do Brasil pela bicicleta, o país está longe de ser uma potência no esporte. "O que é o ciclismo profissional de estrada no Brasil? Está morto há alguns anos. Infelizmente, a gente paga o preço por escolhas erradas de uma geração anterior. Em contrapartida, você tem o montain bike brasileiro voando entre os primeiros do ranking mundial, sempre disputando entre os melhores. Mas o ciclismo de estrada está morto. E a gente tenta colocar o Brasil de novo no mapa", ele admite. 

Mas como falar de esporte, ciclismo, competição e não falar dos Jogos Olímpicos de Paris 2024? O atleta brasileiro deixa claro que está na disputa para participar das competições. "Hoje o Brasil tem uma vaga. É terminar o ranking mundial desse ano para saber quantas vagas serão. E, no ano que vem, em Paris, quem sabe? Seria um sonho", vibra o atleta.

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