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Políticos franceses condenam ataque antissemita contra rabino de Orléans

24/03/2025 12h42

Arié Engelberg foi atacado na cidade de Orléans, na região central da França, no sábado (22), quando voltava da sinagoga com seu filho de 9 anos. Um jovem lhe perguntou se ele era judeu, insultou-o e, em seguida, lhe deu um soco e uma mordida no ombro. A cena foi parcialmente gravada em vídeo por uma testemunha e amplamente compartilhada nas redes sociais. A polícia prendeu o suposto agressor, um menor de 16 anos, que não possui antecedentes criminais. 

O ataque ocorreu às 13h30 (hora local), em uma rua no centro de Orléans. As imagens mostram o agressor, um jovem de capuz, agredindo o rabino repetidamente na presença de seu filho. A agressão só termina quando um pedestre, alertado pelos gritos, intervém.

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O suspeito foi preso no sábado (22) à noite. Trata-se de um rapaz de 16 anos que afirma ser palestino, mas sua identidade e nacionalidade estão sendo verificadas, de acordo com a mídia francesa Franceinfo

Yann Chaillou, que estava presente no momento do ataque, fundador da associação 'Tous Orléans' e candidato a prefeito, disse ao jornal francês Libération que não há dúvida de que foi um ataque antissemita. "Eu vi um judeu sendo atacado porque ele é judeu", declarou.

De acordo com a mesma fonte, o rabino Engelberg disse que o agressor lhe perguntou se ele era judeu, antes de lhe dizer que "todos os judeus são filhos da p...", escreve o jornal Libération

O "veneno" do antissemitismo

No domingo, o presidente francês Emmanuel Macron denunciou o "veneno" do antissemitismo, prometendo não ceder ao "silêncio ou à inação".

"O ataque ao rabino Arié Engelberg em Orléans nos chocou profundamente. Expresso meu total apoio a ele, a seu filho e a todos os nossos compatriotas de fé judaica, em nome da nação", escreveu o chefe de Estado no X.

Outros líderes políticos também denunciaram o ataque antissemita. Entre eles, o coordenador nacional do partido de esquerda radical, França Insubmissa (LFI), Manuel Bompard, que expressou seu apoio ao rabino, "sua família e amigos", e descreveu o ataque como "insuportável".

O partido da esquerda radical é acusado por outras forças políticas de ter antissemitas em seus quadros, algo que a sigla rejeita.

Ataques antissemitas disparam na França 

De acordo com dados do Ministério do Interior da França, 1.570 atos antissemitas foram registrados em 2024, 6% a menos do que no ano anterior. Os incidentes antissemitas representam 62% de todos os incidentes antirreligiosos, 65% dos quais envolvem ataques a indivíduos. Esse não é o caso de outras religiões, em que os ataques a propriedades representam a maioria das agressões.

Em janeiro passado, o Crif, o Conselho Representativo das Instituições Judaicas Francesas, denunciou o nível "histórico" de tais ataques pelo segundo ano consecutivo, com uma "explosão" de agressões desde 7 de outubro de 2023, data do ataque do Hamas contra Israel, que provocou uma resposta imediata do governo israelense.

(Com AFP)


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