Greve do metrô continua em SP apesar de liminar judicial, dizem metroviários

Janaina Garcia
Do UOL Notícias
Em São Paulo

A decisão judicial que obriga a manutenção de 90% dos funcionários do metrô de São Paulo trabalhando no horário de pico nesta quarta-feira (1º), em caso de greve --e de 70% nos demais horários --"não será sequer defendida" na assembleia de hoje (31), que votará pela adesão à paralisação marcada desde a semana passada. A declaração foi dada nesta tarde ao UOL Notícias pelo vice-presidente do Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo, Sérgio Renato da Silva Magalhães, após a liminar concedida ao Metrô pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho).

O horário de pico é das 5h às 10h e das 16h às 20h. O pedido de liminar feito pela empresa foi atendido horas depois de fracassar uma nova tentativa de negociação entre as partes, que se arrasta desde o último dia 5. Os funcionários pleiteiam reajuste de 10,79% conforme o IGPM. O Metrô apresentou hoje a proposta de 1,3% de aumento real acrescido ao reajuste de 6,39% sugeridos a partir do cáculo IPC-Fipe --ou seja, aumento de 7,77% sobre os salários atuais.

Para o vice-presidente dos metroviários, "uma decisão [judicial] dessas provavelmente vem de alguém que nunca andou de metrô". "Isso é uma pressão política sobre os trabalhadores. Com a proposta que a empresa fez, não temos como não fazer a greve e o metrô vai parar".

Indagado sobre a possível multa que a categoria receberá por desobedecer uma decisão judicial, Magalhães disse: "Pagamos a multa. Porque, se formos defender essa proposta na assembleia, os funcionários 'passam por cima' da gente. Não tem como sequer defender uma decisão dessas", definiu.

Mesmo com liminar, greve

Por outro lado, o sindicalista sinalizou que pode haver o entendimento, por parte da categoria, de que 90% dos operadores dos trens não parem. "Eles representam cerca de 10% no quadro de funcionários. Seria, sim, é uma irresponsabilidade estações como a Sé, por exemplo, funcionarem, com os demais funcionários em greve", afirmou Magalhães. A reportagem solicitou ao TRT acesso à decisão, mas o documento não foi liberado.

Segundo a assessoria do TRT, a liminar cita os percentuais de 90% e 70% de funcionamento para "operação das linhas", ou seja, mesmo em greve, a frota e os trabalhadores necessários para assegurar esse mínimo deverão ser resguardados. Ao todo, o Metrô-SP tem cerca de 8.700 trabalhadores.

Nota oficial

Em nota publicada nesta tarde --a última havia sido divulgada na última quinta-feira (26) --, o Metrô informou que, além da proposta de reajuste salarial, ofereceu também o reajuste de 50% no vale alimentação mensal --para R$ 150. Já no caso de metroviários que moram fora da cidade de São Paulo, a empresa prometeu auxílio-transporte e, aos demais, a ampliação do auxílio-creche, agora também para filhos com deficiência, sem limite de idade. Outra iniciativa foi a ampliação no tempo da licença maternidade, também proposta de quatro para seis meses.

A empresa frisou também que vai assegurar reajuste de 6,39% (IPC/Fipe) em todos os benefícios extra-salariais. "Dentre os itens negociados está a nova PLR --Participação nos Lucros e Resultados, que será equivalente a um salário extra, o 14º salário, concedida aos empregados mediante cumprimento de metas estabelecidas pela companhia. A proposta do Metrô foi acatada pelo TRT e consolidada pelo Ministério Público Estadual, que a considerou extremamente razoável para o fechamento de acordo", diz trecho da nota oficial.

 

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