Ciclistas de Florianópolis pedalam pelados para pedir mais segurança no trânsito

Léo Pereira
Do UOL, em Florianópolis

A manifestação Pedalada Pelada (Naked Bike Ride) foi realizada em Florianópolis neste sábado (10) pela primeira vez. Em um protesto que aconteceu em várias cidades do mundo, mais de 100 ciclistas percorreram ruas da capital catarinense, pedindo mais segurança no trânsito para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte.


A reunião aconteceu em uma praça no bairro Trindade, em frente a um movimentado shopping, no começo da noite. Curiosos se aproximaram para acompanhar os ciclistas pintando faixas, ou escrevendo no corpo frases como “queime calorias, não gasolina!” e “não poluo, não mato, cadê meu espaço?”.

 

Mesmo com o nome do evento estimulando a nudez, a maioria ainda demonstrou receio. Os porta-vozes deixavam  claro para que as pessoas “ficassem à vontade”, mas que mantivessem a roupa bem próxima para evitar confusão. “O que é um atentado ao pudor? Pedalar pelado ou dirigir embriagado?”, perguntava um dos manifestantes.

Outros participantes preferiram usar cuecas ou sungas; os mais ousados saíam com algum objeto funcionando como tapa-sexo. Já entre as mulheres, houve o caso de uma estudante que, apenas de calcinha, pintou estrelas azuis nos seios, mas se sentiu envergonhada com a chegada das câmeras.

O servidor público Luiz Carlos Pereira, de 54 anos, deixou que desenhassem uma bicicleta em suas nádegas. “A cidade precisa olhar mais para as pessoas”, disse Luiz Carlos, que garante encontrar dificuldades em percorrer quase 15 km de bike para sair de sua casa e chegar até a universidade.

Representantes buscavam explicar que o protesto era uma forma de mostrar como eles se sentiam “despidos de segurança”. “É um movimento para exigir respeito ao Código Brasileiro de Trânsito, aos direitos que possuem ciclistas e pedestres nas vias”, disse Daniel Costa, presidente da Associação de Ciclousuários da Grande Florianópolis.

No site da entidade há uma pesquisa divulgada em uma tese de doutorado pela Universidade de Brasília (UnB), na qual Florianópolis teria o pior índice de mobilidade urbana entre as capitais do país.Na região metropolitana, onde moram aproximadamente um milhão de habitantes, são 37 kms de ciclovias e ciclo-faixas, número considerado reduzido pelas entidades de ciclistas.

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