Peregrino cospe no rosto de manifestante da Marcha das Vadias

Rodrigo Bertolotto
Do UOL, no Rio

  • Júlio César Guimarães/UOL

    Manifestantes realizam 'Marcha das Vadias' na praia de Copacabana, Rio de Janeiro

    Manifestantes realizam 'Marcha das Vadias' na praia de Copacabana, Rio de Janeiro

Um peregrino cuspiu no rosto de uma manifestante que participava da Marcha das Vadias, realizada neste sábado (27), no posto 5 de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Em resposta à agressão, as mulheres rebolaram, mostraram os seios e a bunda.

O protesto é contra a política da Igreja Católica sobre o aborto e pedem por um "verdadeiro" Estado laico.  Um dos gritos que elas entoavam perguntava pelo morador que sumiu da Rocinha, na semana passada: "Papa levanta o seu vestido, quem sabe aí embaixo está o Amarildo?"

Um grupo de aproximadamente 50 peregrinos da França, do Chile e da Itália, que participam da Jornada Mundial da Juventude, se sentiram ofendidos com o ato e iniciam um bate-boca com as participantes do ato.

O incidente mais forte foi o encontro com um grupo católico que começou a entoar coros para o papa e a igreja. Logo surgiu uma troca de ofensas e gestos obscenos. Tirando isso, muitos peregrinos observaram a manifestação e alguns estrangeiros, sem perceber,  até se meteram no meio dos manifestantes.

A passeata feminina, porém, tomou direção de Ipanema, saindo do Posto 5 de Copacabana, enquanto os peregrinos rumavam para o Leme, na outra ponta da praia, que virou uma catedral nesses dias de Jornada Mundial  da Juventude.

A marcha usou de muito humor para fazer alusões às posições da igreja em relação ao aborto e aos métodos de anticoncepção. Uma manifestante carregou uma cruz com preservativos colados. Já um ativista se vestiu de papa, jogando purpurina como incenso, e soltou frases como "Olha só que legal, até o papa tem nome social",  "A nossa luta é por respeito, mulher não é só bunda e peito" e "Se o papa fosse mulher, o aborto seria legal".

Havia garotas com véu de freira na cabeça, sutiã à mostra e uma calcinha como venda. Outros seguravam placas com dizeres como "Chupai uns aos outros" e "Deus perdoa o estupro, mas nós não", "A Barbie não me representa" ou "Tire seus conselhos dos meus pentelhos".

A organização batizou o ato de "Jornada Mundial das Vadias". Havia também faixa com trocadilhos como a sonoridade da sigla do evento católico JMJ: "Xota em mi xota".

A Marcha das Vadias surgiu em Toronto (Canadá) e se espalhou pelo mundo como uma nova forma de congregar os diversos grupos feministas e dos direitos LGTB.

Havia no ato também mulheres católicas que são a favor do aborto, do sacerdócio feminino e dos padres casados. A passeata, em ritmo de Carnaval e funk, com direito a bateria e naipe de metais, seguiu na contramão da peregrinação.

Segundo Rogéria Peixinho, ativista da AMB (Associação de Mulheres Brasileiras), a visita do pontífice a capital fluminense tem  como "contraponto a livre manifestação de outra juventude", na rua, "protestando contra a opressão e o controle da vida e da sexualidade das mulheres".

"A presença do papa e os recursos públicos alocados para a visita de um líder espiritual colocam em xeque a laicidade do Estado. (...) Esse tema está dentro dos eixos da marcha, assim como o direito ao corpo, as denúncias sobre os casos de estupro que estão aumentando principalmente no Rio, e a formulação de políticas públicas de proteção às mulheres", disse ela.

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