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Cartilha ajuda a esclarecer mitos sobre adoçantes

Thamires Andrade<br>Do UOL Ciência e Saúde

Em São Paulo

06/10/2011 07h00

Desde que surgiram em meados da década de 60, os adoçantes (oficialmente chamados de edulcorantes) geram algum tipo de polêmica. Quem nunca recebeu um spam com informações sobre a associação entre esses aditivos e doenças como câncer? Há estudos que ainda ligam adoçantes a doenças como atrofia de órgãos e até obesidade. Para melhorar a imagem desses produtos, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad) lançou uma cartilha com informações aos consumidores.

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL Ciência e Saúde, os estudos que condenam os adoçantes são inconclusivos. "A maioria das pesquisas foi desenvolvida com ratos e [os cientistas] deram aos animais uma quantidade exorbitante de adoçante, um nível muito acima do que um humano conseguiria consumir", relata Ana Paula Gines Geraldo, nutricionista do Laboratório de Técnica Dietética da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.

Esses estudos, no entanto, já renderam aos adoçantes proibições em diversos países. Depois de uma pesquisa que mostrou risco de atrofia nos testículos, por exemplo, os Estados Unidos proibiram o ciclamato, componente presente para adoçar a maioria dos refrigerantes “zero” vendidos no Brasil. A sacarina também já chegou a ser proibida no mercado americano por ser responsável por causar câncer de bexiga, mas já foi liberada. "Todos esses trabalhos que foram desenvolvidos não conseguem afirmar com segurança os riscos, seja de atrofia ou câncer, que o consumo da substância traz para o organismo. Tudo ainda é subjetivo", complementa Elaine Cristina Moreira, nutricionista da Clínica Denise Steiner.

Foi por essa razão que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) regulamentou os limites máximos de utilização dos edulcorantes nos alimentos. "Todos os adoçantes que estão disponíveis no mercado foram estudados e testados para não afetar a saúde do consumidor. Além disso, foi estabelecido por segurança uma Ingestão Diária Aceitável (IDA) das substâncias, em que fica estipulada a quantidade máxima de aditivo por peso corpóreo", explica Ana Maria Giandon, engenheira de alimentos e consultora científica da Abiad.

Mas quase nunca um único adoçante é consumido sozinho. A indústria alimentícia utiliza misturas de edulcorantes para reduzir alguns aspectos negativos, como o sabor residual, que deixa aquele gosto amargo ou metálico em alguns alimentos. "Essas misturas são boas pra saúde porque evitam que a pessoa chegue ao limite diário de cada um dos adoçantes presentes e também para tecnologia, pois potencializam o que ambos têm de melhor", conta Geraldo.

Há adoçantes, por sua vez, que podem ter alguns efeitos residuais quando fervidos, por exemplo. "Na hora de fazer o produto final há sempre um estudo para verificar se o adoçante vai degradar se fervido, a dica é olhar no rótulo da embalagem as informações referentes ao produto para comprar um que atenda as necessidades", ressalta Giandon.

Ainda que recomendado por todas as especialistas para quem busca perder peso, há pesquisas que apontam que o adoçante ajuda a engordar, pois não provocam sensação de saciedade e aumentam a massa corpórea. "De fato existem esses indícios e são pesquisas confiáveis realizadas em universidades renomadas, mas é preciso de muitas pesquisas, e nas mais diversas condições, para comprovar essa afirmação", acredita a engenheira de alimentos.

De acordo com Moreira, a troca do açúcar por adoçante não só é indicada para os diabéticos e para quem deseja perder alguns quilos extras, mas também para os que querem reduzir cáries e gorduras localizadas. "O açúcar aumenta a incidência da doença bucal e também da gordura abdominal, que é a mais indesejada para as mulheres", declara.

Geraldo, no entanto, adverte sobre as mudanças para o edulcorante em receitas culinárias: "O açúcar possui algumas funções importantes na hora de preparar um bolo, por exemplo, portanto se a pessoa optar pelo adoçante ele poderá ficar mais seco ou não crescer tanto". A dica da nutricionista do Laboratório de Técnica Dietética é aumentar a quantidade de fermento, líquidos e utilizar alimentos que deem coloração ao bolo, como o suco de maracujá.

O consumo de adoçantes deve ser feito sob supervisão de uma nutricionista, mas não é indicado para grávidas e crianças. "A sacarina, um dos 15 tipos de adoçantes regulamentados pela Anvisa, atravessa a barreira placentária e portanto existe o risco de chegar ao sangue do feto", conta Elaine, que completa que esse adoçante também é contraindicado para os hipertensos. “Tanto a sacarina quanto o ciclamato têm sódio na composição, portanto o sal retém água e aumenta o volume de sangue dentro do vaso sanguíneo, o que faz com que a pressão aumente", completa Elaine. A nutricionista diz que nesses casos o ideal é buscar um adoçante sem sódio na composição, como a sucralose.

As contraindicações também valem para adoçantes naturais. A grande diferença deles para os artificiais é a origem. "Um é extraído de vegetais e frutas, enquanto os outros são produzidos por um processo químico, mas no final todos eles passam pelo mesmo processo de purificação", relata a especialista da Abiad.