Mãe de modelo vítima de lipoaspiração também morreu após cirurgia

Renan Antunes de Oliveira
Do UOL, em Florianópolis (SC)

Pai adotivo da modelo Pamela Nascimento, morta durante uma lipoaspiração em São Paulo, o pescador Adilson Alves, de 48 anos, lembrou nesta quarta-feira (31) de "uma terrível coincidência": a mãe biológica da modelo também morreu após uma cirurgia, em 1991.

"Eu andava embarcado em alto mar naquele tempo e não deu para fazer nada", disse. Desta vez, ele quer "a exumação do corpo da filha, a punição dos responsáveis e a indenização pelas despesas com o enterro".

Em entrevista por telefone, Alves afirmou, abatido, que "é dolorido ver uma pessoa saudável morrer jovem".

A mãe adotiva, dona Enedina do Nascimento Alves, está em São Paulo tratando dos procedimentos legais.

Emocionado, Alves lembrou "dos terríveis telefonemas dos médicos, primeiro do que fez a cirurgia para dizer que ela morreu, depois de um outro para dizer que ela teve um órgão perfurado". O fato ocorreu no dia 19 de outubro, mas a polícia só foi informada esta semana.

"A gente ficava aqui esperando telefonemas, naquela angústia, sem saber o que fazer, só chorando", relatou. Para ele, "foi um horror perder uma criança", explicando que "uma filha sempre é uma criança". Nascida em 9 de novembro de 1985, Pamela faria 27 anos.

Alves é nativo de Enseada, uma praia paradisíaca em São Francisco do Sul (195 km ao norte de Florianópolis). Pamela viveu na casa da família até os 20 anos.

A mãe biológica da modelo, Mara Rúbia Nascimento, era irmã de dona Enedina: "Quando Pamela nasceu, ela nos procurou. Estava trabalhando em Camboriú e não poderia cuidar da criança. Como a menina não tinha pai, nos entregou Pamela ainda com uma semana de vida. De lá para cá nós a criamos como filha", contou.

Infecção

"Minha cunhada voltou aqui (em 1991) grávida de outra menina. Quando ela nasceu, pediu para ligar as trompas. Fizeram alguma coisa errada e semanas depois ela morreu de uma infecção", lembra Alves. A família nada fez.

A irmã de Pamela, por parte de mãe, também chama-se Mara Rúbia, e foi criada por outro casal.

Alves lembra que Pamela passou "uma infância de criança normal". Ela fez seus estudos no Colégio Estadual Nicola Batista. Aos 20 anos, pediu licença para morar, trabalhar e estudar em Curitiba: "Deixamos, porque sabíamos que ela era esforçada e trabalhadora, uma menina muito boa".

O pescador conta que "andam dizendo que perdemos contato com Pamela, mas não é verdade. Ela fez uma cirurgia de varizes, no mês passado, e minha mulher foi para São Paulo cuidar dela por 2 dias. As duas vieram juntas pra cá, no primeiro turno da eleição".

Ele conta que a filha "adorava a praia e comer peixe assado na brasa". Na última passagem dela pela cidade, "muitos amigos vieram vê-la, nossa casa estava cheia".

Enterro

Alves não quis ver o corpo: "Até pedi para um sobrinho que mora em São Paulo fazer o reconhecimento, não tive coragem de ir vê-la morta".

Ele reclama que todas as despesas para trazer o cadáver de São Paulo, assim como o enterro no cemitério de Enseada, foram pagos por ele.

Novos sepultamentos foram proibidos no local por causa do terreno arenoso, mas Pamela teve direito porque a família tem um jazigo - meses atrás ela esteve lá reformando a tumba da mãe.

Hoje, a sepultura de Mara Rúbia está desbotada outra vez, com a cruz caída e sem nome. Pamela descansa ao lado: "Botei as duas juntinhas", disse o pai, prometendo que neste fim de semana ele e dona Enedina vão levar flores e gravar os nomes de mãe e filha numa lápide.

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