Pouco conhecida no Brasil, terapia propõe cura pela conexão com o universo

Nancy Campos
Do UOL, em São Paulo

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    O doutor em quiroprática Eric Pearl (à dir.) explica a técnica da Cura Reconectiva a alunos nos EUA

    O doutor em quiroprática Eric Pearl (à dir.) explica a técnica da Cura Reconectiva a alunos nos EUA

A Cura Reconectiva, iniciada pelo doutor em quiroprática Eric Pearl nos Estados Unidos há quase 20 anos, começa a ganhar visibilidade no Brasil. A prática consiste em promover o contato das pessoas que buscam a cura para problemas físicos, mentais ou emocionais com “frequências eletromagnéticas, compostas de luz, informação e energia”.
   
 “Quando entramos em harmonia com estas frequências, nosso organismo as incorpora e volta ao seu estado de equilíbrio natural. Qualquer pessoa pode se beneficiar da Cura Reconectiva. Não é privilégio de ninguém. O nosso papel, como profissionais, é de abrir as portas para esta conexão. Não somos os responsáveis pela cura”, diz Pearl.

Segundo ele, estas frequências são produzidas naturalmente pelo universo desde os tempos ancestrais. Daí a “reconexão”. Pearl acaba de lançar no Brasil o seu best-seller "A Reconexão: cure os outros, cure a si mesmo" (Ed. Pensamento) e desembarca em São Paulo para conduzir o primeiro seminário sobre o tema no país, de 8 a 13 de novembro.

Para os praticantes, a Cura Reconectiva não é uma terapia, pois não são feitos diagnósticos nem indicações de tratamento. Cada pessoa passa, no máximo, por três sessões, que podem ser repetidas se o cliente desejar.

O atendimento é presencial ou à distância. No primeiro caso, o profissional habilitado geralmente se movimenta ao redor do cliente, que fica deitado numa maca, e manipula sutilmente correntes de energia invisíveis acima do seu corpo, como descreve Pearl ao ensinar o método em seu livro. Em geral, não há contato, nem posturas específicas.

“Não precisa de técnicas complicadas, tambores ou mantras”, costuma dizer o quiroprático. A sessão dura cerca de 30 minutos. Para o atendimento à distância, marca-se um horário para que o praticante e o cliente entrem em contato com as frequências eletromagnéticas.

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    O profissional habilitado  se movimenta ao redor do cliente que fica deitado numa maca

Sugado por um ímã

“Foi assim que atendi o meu primeiro caso, de um vizinho que havia sofrido um acidente de moto e teria que amputar as pernas”, conta Karla Kinhirin, uma dos 16 profissionais brasileiros habilitados a fazer a Cura Reconectiva.

“Acessei as frequências e o rapaz disse ter tido a sensação de que um ímã o sugou e o trouxe de volta. Ele não perdeu as pernas, fez dois anos de fisioterapia e hoje caminha normalmente”, acrescenta. “Aliás, a pessoa nem precisa estar consciente. Pode até estar em coma, que as frequências vão agir”.

Segundo os relatos de Pearl, as pessoas apresentam sensações e reações diversas durante a sessão: frio, calor, movimentos involuntários de mãos, pernas e olhos, relaxamento profundo e até a visão de anjos. O quiroprático cita casos de cura de problemas crônicos de coluna, fadiga crônica e até mesmo de câncer, entre vários outros.

Kinhirin observa que a cura é para a causa do problema e não para o sintoma. “Portanto, se a pessoa chega com dor de cabeça, não sabemos que resultado ela terá. Se o problema do indivíduo é aprender a amar, a cura se dirigirá para isso”.

Ela comenta também que, uma vez acessadas, as frequências da Cura Reconectiva “são suas para sempre, pois suas moléculas passam a reconhecê-la”. Pearl reforça: “A cura tende a ser instantânea e durar a vida toda”. Entretanto, ressalvam que o cliente não deve abandonar os tratamentos médicos convencionais.

A sessão tem um preço fixo em qualquer parte do mundo: US$ 333,00, convertidos para a moeda local. “Traz a vibração dos três números e é suficiente para que as pessoas deem valor ao atendimento”, afirma Pearl. Os praticantes devem ser habilitados pelos seminários da sua empresa, The Reconnection LLC, realizados em mais de 60 países. Hoje, há cerca de 70 mil profissionais no mundo.

Da cigana aos cientistas

Durante 12 anos, Pearl teve uma clínica de quiroprática bem sucedida em Los Angeles. Passava por uma crise pessoal quando, depois de muita insistência da sua assistente, consultou uma cigana judia que lia cartas na praia. Ela o identificou como curador e lhe ofereceu um “trabalho especial” que conectaria seu corpo “às redes do planeta, das às estrelas e de outros planetas”.

Mesmo absolutamente descrente e se sentindo ridículo, ele se submeteu à sessão e começou a ter sensações físicas diferentes a partir daquela noite. Depois da experiência, seus pacientes do consultório de quiroprática passaram a relatar as mais diferentes sensações durante o atendimento, melhorando significativamente, segundo Pearl.

A sessão realizada pela cigana, que passou a ser feita por Pearl e também é ensinada aos praticantes, foi batizada de Reconexão. Pearl detalha a técnica: consiste em reconectar as chamadas linhas axiatonais (sistema paralelo ao dos meridianos da acupuntura e ao sistema tridimensional circulatório) aos meridianos da malha energética do planeta e do Universo.  

A Cura Reconectiva tem sido tema de estudos e experimentos de vários pesquisadores. Um deles, Gary Schwartz, professor de psicologia, medicina, neurologia e psiquiatria da Universidade do Arizona, afirma que a energia da Cura Reconectiva é “real, detectável e mensurável”.

Pearl conta que os pesquisadores alemães Fritz Albert Popp e Alexander Popp constataram o aumento do processamento de informações do cérebro dos praticantes, medido durante o sono, o período em que estão acordados e durante o atendimento a clientes.

Métodos não convencionais

O quiroprático ministrou uma aula para alunos de especialização em cuidados integrativos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em agosto. O curso investiga novos métodos terapêuticos e educacionais não convencionais, considerando o corpo, a mente e o espírito.

"Na nossa visão, como ouvintes, o método do professor ainda é muito subjetivo, pois é baseado apenas na sua experiência pessoal e no relato de poucos casos. Há necessidade de maior sustentação teórica e epistemológica, a fim de validar o método como terapêutica eficiente e segura aos pacientes", afirma Sissy Fontes, professora doutora e coordenadora do curso no Departamento de neurologia e neurocirurgia da universidade.

Ela acrescenta que estudos com métodos adequados, qualitativos ou fenomenológicos, “podem auxiliar na investigação do método, a fim de comprovar seus reais efeitos".  

Para o Center for Inquiry, instituição norte-americana sem fins lucrativos voltada para a promoção da ciência, os depoimentos de pessoas, “incluindo alguns médicos”, no livro e no site do quiroprático usam expressões como “frequências vibracionais de cura” que “soam científicas” e “parecem muito impressionantes para leigos e para os doentes e desesperados”.  Segundo Benjamin Radford, do Committee for Skeptical Inquiry da entidade, “esta é a clássica pseudociência que não tem base na medicina ou na realidade”.

 

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    Segundo relatos , durate as sessões as pessoas apresentam sensações e reações diversas durante a sessão: frio, calor, movimentos involuntários de mãos, pernas e olhos

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