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Cientistas brasileiros descobrem novo distúrbio cerebral em adultos ligado ao zika

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Julie Steenhuysen

10/04/2016 21h45

Cientistas brasileiros revelaram um novo distúrbio cerebral em adultos associado ao zika vírus: uma síndrome autoimune chamada encefalomielite disseminada aguda, ou Adem, que ataca o cérebro e a espinha dorsal.

O zika já havia sido relacionado a outro distúrbio autoimune, a síndrome de Guillain-Barré, que ataca os nervos periféricos fora do cérebro e espinha dorsal, causando uma paralisia temporária que pode, em alguns casos, fazer com que os pacientes precisem da ajuda de equipamentos para respirar.

A nova descoberta mostra que o zika pode provocar também um ataque imune contra o sistema nervoso central. Com isso, aumenta a lista de danos neurológicos associados ao zika vírus.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, existe um grande consenso científico de que, além da Guillain-Barré, o zika pode causar a microcefalia em recém-nascidos, embora a produção de provas conclusivas ainda deva demorar meses ou anos.

A microcefalia é uma má-formação cerebral, na qual os bebês nascem com cabeças menores do que o normal, o que pode resultar em problemas de desenvolvimento.

Além de doenças autoimunes, alguns pesquisadores também tem apresentado relatos de pacientes com zika que desenvolvem encefalite e mielite --distúrbios neurológicos tipicamente causados pela infecção direta de células nervosas.

"Embora nosso estudo seja pequeno, pode fornecer evidência de que, nesse caso, o vírus tem efeitos diferentes sobre o cérebro do que aqueles identificados nos estudos atuais", disse em um comunicado a doutora Maria Lúcia Brito, neurologista do Hospital da Restauração, no Recife.

A Adem ocorre tipicamente como consequência de uma infecção, provocando o inchaço acentuado do cérebro e da espinha dorsal e danificando a mielina, a proteção esbranquiçada que envolve as fibras nervosas. Os sintomas são fraqueza, dormência e perda do equilíbrio e da visão, similares aos da esclerose múltipla.

Maria Lucia Brito apresentou suas descobertas neste domingo, durante um encontro da Academia Americana de Neurologia, em Vancouver, no Canadá.

O estudo envolveu 151 pacientes que foram atendidos no hospital entre dezembro de 2014 e junho de 2015. Todos foram infectados com arbovírus, a família de vírus da qual fazem parte dengue, zika e chikungunya.

Seis dos pacientes desenvolveram sintomas consistentes com distúrbios autoimunes. Desses, quatro tinham Guillain-Barré e dois, Adem. Em ambos os casos de Adem, imagens do cérebro mostraram danos na mielina. Os sintemas da Adem duram tipicamente seis meses.

Todos os seis pacientes testaram positivo para zika, e todos tiveram efeitos prolongados após receberem alta do hospital, com cinco pacientes tendo apresentado disfunção motora, um problemas de visão e um declínio cognitivo.