Freixo se diz vítima da 'política com terror' no Rio
O avanço da direita nas eleições municipais de 2016, com a significativa derrota da esquerda nas grandes cidades no primeiro turno, é parte de um movimento maior, mundial, e marca o fim do período de poder do PT no país, avalia o candidato do PSOL a prefeito do Rio, Marcelo Freixo.
Freixo diz que a candidatura de Marcelo Crivella (PRB) é parte desse cenário de crescimento conservador. Em contraste, se apresenta como parte do contraponto.
Sua campanha deixou o tom ameno e passou a atacar Crivella por sua aliança com o PR do ex-governador Anthony Garotinho e pela atuação do adversário na Igreja Universal do Reino de Deus. A seguir, trechos da conversa de Freixo com o jornal "O Estado de S. Paulo".
O que explica a derrota da esquerda nas grandes cidades?
Acho que alguns fenômenos são mundiais. Tem, por um lado, o avanço de uma direita bastante conservadora, em lugares como França, Alemanha... O que é o [candidato republicano a presidente Donald] Trump nos Estados Unidos, com um porcentual altíssimo de intenção de voto. E, ao mesmo tempo, tem experiências muito ricas. O prefeito de Londres é muçulmano. O Partido Trabalhista de Londres tem um ingresso enorme de uma juventude que nunca tinha entrado [na legenda]. Tem o Podemos [na Espanha], tem a candidatura do Bernie Sanders nos Estados Unidos... Ao mesmo tempo em que tem um avanço conservador, tem também algo novo acontecendo.
Acho que o Rio espelha um pouco isso. Tem essa candidatura do Crivella e tem a nossa. A eleição brasileira mostrou isso. É um ciclo que se encerra, que é o ciclo da era do PT, com tudo que isso representou. Um desgaste muito grande para a imagem da esquerda, que precisa ser reconstruída.
Como entender a derrota do PMDB, após dez anos de hegemonia e de o prefeito promover uma Olimpíada bem-sucedida?
Não é pouco comum prefeito perder eleição depois de [ser anfitrião de] Olimpíada. Acho que Eduardo [Paes] acertou em umas coisas, errou em outras. Ele acerta no BRT, erra na terceirização da regulação da saúde, acerta na expansão da Clínica da Família...
O senhor tem sido muito atacado por questões como droga, aborto, além de muita boataria...
É o método de ação de quem faz política com terror. Eu sabia que o segundo turno teria uma campanha com métodos que não são os nossos.
Eu vou para a televisão e digo [a Crivella]: 'Você tem de explicar a aliança com Garotinho'. Não estou inventando. É diferente de eles espalharem que vou liberar a droga, que vou acabar com a PM, que vou vestir a Guarda Municipal de rosa, que vou distribuir livros ensinando crianças de quatro, cinco anos a fazer sexo... É um nível muito baixo de fazer política. Quem tudo faz para chegar ao poder tudo faz no poder.
Por que o foco no Garotinho?
Há uma aliança formal do Garotinho com Crivella no primeiro turno. A aliança deles é PR com PRB. O vice [Fernando Mac Dowell] é indicado do Garotinho. O meu temor é a volta do Garotinho. Garotinho foi expulso eleitoralmente do Rio de Janeiro pelo carioca. Não adianta o Crivella dizer que o vice dele é um técnico, quando o vice dele é um técnico, que eu respeito, mas é indicado pelo Garotinho, é do PR. O Crivella quer me convencer que o Garotinho o apoia e não quer nada em troca. Então, realmente a capacidade de conversão do Crivella está muito sofisticada. Do Garotinho espero tudo, tudo de ruim.
Se a prefeitura tivesse de intervir mais, onde seria?
Transportes. Não é estatizar. Não tem o menor cabimento a prefeitura se tornar dona de linha de ônibus. Mas a prefeitura tem de ter um sistema de regulação. Tem de dizer quais linhas vão funcionar, onde vão começar e terminar. Não pode ter ônibus que sai de Campo Grande e vai para Bonsucesso e aí o empresário decide que esse ônibus vai parar em Madureira. Aí o passageiro que ia para Bonsucesso tem de descer em Madureira para pegar outro ônibus. E uma viagem que poderia durar uma hora e meia vai durar duas horas e meia.
As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
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