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"É absolutamente fantasiosa", diz Cardozo sobre suposta conta de e-mail entre Dilma e marqueteiros

10.ago.2016 -  O advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment, José Eduardo Cardozo - Edilson Rodrigues/Agência Senado
10.ago.2016 - O advogado de Dilma Rousseff no processo de impeachment, José Eduardo Cardozo Imagem: Edilson Rodrigues/Agência Senado

12/05/2017 18h35

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo classificou como "surreal" a alegação de que a mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana e a ex-presidente Dilma Rousseff criaram uma conta de e-mail secreta para compartilhar detalhes sobre o andamento da Operação Lava Jato.

"Nunca soube disso. Para mim, é absolutamente fantasiosa. É uma coisa surreal. Se você analisar com razoabilidade, é desconexo", afirmou Cardozo em um evento organizado pelo núcleo do PT em Londres.

Advogado de Dilma no processo de impeachment, Cardozo viajou à capital britânica para participar de um seminário organizado por estudantes de pós-graduação brasileiros neste fim de semana.

Ele afirmou que passou o voo "lendo a delação premiada" dos marqueteiros.

Na delação, divulgada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Mônica Moura, mulher do ex-marqueteiro do PT João Santana, afirmou que Cardozo avisava Rousseff sobre o andamento da Lava Jato.

Ela disse também que criou uma conta no Gmail, com nome e dados fictícios, no computador da ex-presidente, a partir da qual seria informada sobre o avanço da operação.

Segundo Moura, pelo combinado, quando Dilma recebesse alguma informação de Cardozo, um assessor de confiança da ex-presidente, Giles Azevedo, ficaria responsável por enviar uma mensagem à empresária para que checasse o e-mail. As mensagens escritas pela presidente permaneceriam na caixa de rascunhos, para não circularem, e Moura acessaria a conta de onde estivesse.

Ela alegou ter sido avisada por Dilma de que havia mandados de prisão contra ela e o marido antes de a operação que prenderia o casal ter sido deflagrada. Moura e Santana estavam no exterior e, posteriormente, se entregaram à polícia.

Questionado pela BBC Brasil sobre a acusação, Cardozo confirmou que deixava Dilma a par das investigações por "dever do cargo", mas que não recebia "informação privilegiada" sobre as operações.

"Nunca passei informação privilegiada para Dilma. Só passava o que a Polícia Federal, o Ministério Público ou o Judiciário me passava, na hora que tinha de passar", disse Cardozo.

Cardozo disse que, quando o casal foi preso, em fevereiro do ano passado, soube no dia da operação que resultou na prisão dos dois.

"Fui informado pela manhã e informei a presidente. Quando ia acontecer uma operação e eu era avisado oficialmente, eu informava diretamente a presidente. Quando o juiz liberava as decisões, eu debatia com ela; é absolutamente normal. Esse é o papel do ministro da Justiça. Informar a presidente. E eu só informei aquilo que eu recebi de informação", afirmou.

O ex-ministro afirmou que apenas em casos "excepcionais" era informado com antecedência, mas "nunca dois ou três dias antes".

Segundo ele, as delações dos ex-marqueteiros "não batem com aquilo que vi".

"O delator faz o possível para ter uma redução de pena, faz o possível para ter sua liberdade. (...) Eu não sei que diabos é isso. No fundo, acho que o delator precisa entregar alguma coisa que a polícia queira ouvir para poder negociar", opinou.