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Com Itália e França em crise, Alemanha afirma sua hegemonia

Hollande (d) deve nomear novo premiê. Enquanto isso, Alemanha, de Merkel (e), nada de braçadas - Francois Mori/AP Photo
Hollande (d) deve nomear novo premiê. Enquanto isso, Alemanha, de Merkel (e), nada de braçadas Imagem: Francois Mori/AP Photo
Luiz Felipe de Alencastro

Cientista político e historiador, professor emérito da Universidade de e Paris-Sorbonne e professor da Escola de Economia de São Paulo - FGV. É membro da Academia Europaea.

01/04/2013 09h20

 

A União Europeia entra na primavera encarando novas dificuldades. A crise de Chipre ainda não está resolvida. E a solução encontrada – o congelamento de depósitos bancários superiores – lançou desconfianças sobre os bancos de toda a zona euro. 

A Itália continua sem governo e as negociações entre os partidos emperraram. Na quinta feira (28), Pier Luigi Bersani, chefe do Partido Democrata (centro-esquerda), que obteve uma maioria relativa nas últimas eleições, desistiu de tentar formar um novo ministério. Agora, espera-se a demissão do presidente italiano, Giorgio Napolitano, que já está no final de seu mandato, para acelerar a convocação de novas eleições nacionais. 

Na mesma quinta-feira, François Hollande fez um longo pronunciamento na televisão francesa, buscando retomar a iniciativa governamental. O resultado foi inconclusivo. Segundo as sondagens, a maioria dos franceses perdeu a confiança no atual governo. O fato de Hollande não ter mencionado o nome do primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault durante sua fala, apareceu aos editorialistas como o anúncio de que seus dias estão contados. Tudo indica que Hollande nomeará em breve um novo primeiro-ministro. 

No horizonte, Hollande enfrenta novos embaraços. Irritada com o voto pelo Parlamento da legislação favorável ao casamento gay, uma parte da direita francesa se radicaliza e entra numa grande militância anti-Hollande.   

Enfim, há outra notícia ruim que, desta vez, atinge toda da zona euro. No mês de março, depois de três meses de alta, os indicadores econômicos da região desabaram. Um gráfico publicado por Paul Krugman mostra que o nível do PIB per capita europeu, depois de 5 anos de crise, está pior do que o nível registrado em igual período de tempo na crise de 1929.

No meio disso tudo, a publicação da foto da chefe do governo alemão, Angela Merkel, numa piscina em Ischia, na Itália, pareceu premonitória. No meio do bloqueio geral europeu, com um governo francês enfraquecido e a Itália mergulhada na confusão política, a Alemanha nada de braçadas, afirmando sua hegemonia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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