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Brexit e a implosão do consenso parlamentar britânico

Tolga Akmen/AFP
Imagem: Tolga Akmen/AFP
Luiz Felipe de Alencastro

Cientista político e historiador, professor emérito da Universidade de e Paris-Sorbonne e professor da Escola de Economia de São Paulo - FGV. É membro da Academia Europaea.

18/11/2018 21h00

Encenou-se na semana no Reino Unido mais um capitulo desastrado do drama iniciado em 23 de junho de 2016 com o voto em favor do Brexit. Depois de meses de negociações ingentes, demissões de ministros, idas e vindas à sede da UE em Bruxelas, a premiê britânica, Theresa May, apresentou na terça-feira (13) o programa ajustado com a União Europeia para efetivar o Brexit em 29 de março de 2019.

Apesar de a primeira-ministra ter anunciado que seu ministério avalizara o acordo, a crise explodiu poucas horas depois. Cinco membros de seu governo e, sobretudo, o ministro Dominic Raab, principal negociador do Brexit, pediram demissão. Na sequência, o debate parlamentar tornou evidente que o acordo havia sido mal recebido pela maioria dos deputados. Mais inquietante para Theresa May, já estão sendo reunidas as declarações escritas de parlamentares conservadores que desejam sua substituição. Se houver 48 declarações, Theresa May pode receber um voto de desconfiança dos deputados conservadores e deixar a liderança do partido. Neste caso, o Reino Unido terá um novo chefe de governo conservador.

A única salvação de Theresa May é que nenhuma das correntes políticas que a criticam no Parlamente, tanto trabalhistas como conservadoras, dispõe de um programa alternativo, contra ou a favor do Brexit. Caso haja novas eleições parlamentares, as sondagens mostram que os eleitores britânicos também estão divididos sobre o tema.

Quanto a um novo referendo sobre o Brexit, também não há consenso. Jeremy Corbyn, líder da oposição trabalhista, declarou que um novo referendo está fora de pauta atualmente. Pouco a pouco, os impasses do Brexit exasperam o debate político britânico e expõem as dificuldades da mais antiga democracia parlamentar do mundo.

Theresa May volta à Bruxelas esta semana para negociar com Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, os termos do acordo que deverá ser apresentado pelas duas partes na reunião de cúpula da UE no dia 25 de novembro. O principal problema acordo reside na fronteira entre a República da Irlanda, país membro da UE, e a Irlanda do Norte, incorporada ao Reino Unido. Para evitar uma fronteira física, demarcada por policiais e alfandegas entre os dois territórios, o acordo prevê um período de transição até 2020. Se nenhuma solução for encontrada, o Reino Unido ficará integrado numa união alfandegária com a UE.

Ora, esta parte do acordo suscitou uma forte reprovação entre os partidários do Brexit na medida em que ela tolhe a diplomacia econômica do Reino Unido entravando seus tratados comerciais com países exteriores à UE.

Theresa May tem, então, uma dura luta em duas frentes, no Parlamento britânico e em Bruxelas. De fato, há dois dias, a chefe do governo alemão, Angela Merkel, deu uma declaração bastante clara para Theresa May e para os ingleses: as negociações estão encerradas. Para ela, "está fora de questão" renegociar os termos do acordo entre a EU e o Reino Unido.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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