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Paulo Sampaio


Mulher é desfigurada em briga no Jockey e diz que agressora era "o demônio"

A corretora de imóveis Milka Borges da Silva, 33, agredida em restaurante do no Jockey Clube de SP - Reprodução
A corretora de imóveis Milka Borges da Silva, 33, agredida em restaurante do no Jockey Clube de SP Imagem: Reprodução
Paulo Sampaio

Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Paulo Sampaio mudou-se para São Paulo aos 23 anos, trabalhou nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo, nas revistas Elle, Veja, J.P e Poder. Durante os 15 anos em que trabalhou na Folha, tornou-se especialista em cobertura social, com a publicação de matérias de comportamento e entrevistas com artistas, políticos, celebridades, atletas e madames.

Colunista do UOL

15/01/2020 18h18

A corretora de imóveis Milka Borges da Silva, 33, saiu de casa no último sábado para comemorar o aniversário de um amigo no restaurante Iulia, no Jockey Clube de São Paulo, e voltou com 40 pontos no rosto, vários hematomas e a região em torno do corte consideravelmente intumescida.

Desde então, passou por três cirurgias bucomaxilofaciais. Segundo conta, ela foi brutalmente agredida pela modelo Fernanda Bonito, namorada do empresário Rodrigo Lima, irmão do dono do restaurante, Ricardo Lima.

Na versão de Milka, ela e outras moças aguardavam em uma fila para usar o reservado no banheiro, quando Fernanda entrou "visivelmente alterada".

"Ela queria passar à frente de todo mundo, e começou a socar as portas, para obrigar as pessoas a saírem lá de dentro", lembra a corretora, que chegou ao restaurante perto das 20h.

A coluna procurou Fernanda Bonito via redes sociais para ouvir sua versão do ocorrido, porém não obteve resposta.

Milka conta que era a quarta na fila, que se estendia até fora do banheiro, e estava com uma amiga chamada Bárbara, que mora na Austrália. "Eu nem ia usar o banheiro, fui para acompanhar minha amiga."

A fila andou um pouco, e era a vez de Bárbara, mas Fernanda teria atravessado na frente dela, para entrar antes. Bárbara então a teria advertido: "Calma, amiga", e isso irritou a outra, que passou a xingá-la ainda dentro do reservado. "Ela gritava: 'Essa vagabunda não sabe com quem está falando! Quem ela pensa que é!", conta Milka.

Bárbara entrou em outra cabine, que vagou, e saiu mais ou menos ao mesmo tempo que Fernanda. Ela e Milka se preparavam para deixar o banheiro, quando Fernanda disse que chamaria o segurança. Nesse momento, teria empurrado Milka, que a agarrou pelos cabelos para não cair. Ambas caíram. Houve luta no chão. Fernanda se levantou e, depois de abrir violentamente a porta, já do lado de fora do banheiro, teria continuado a ameaçar Bárbara. "A gente ouvia os gritos de 'vagabunda!' Que ela dava".

Fernanda Bonito, acusada de agressão, não foi localizada pela coluna - Reprodução
Fernanda Bonito, acusada de agressão, não foi localizada pela coluna
Imagem: Reprodução
Copo no rosto

Milka diz que ainda estava juntando no chão alguns de seus acessórios, quando Fernanda retornou ao banheiro: "Ela era a cara do demônio", lembra a corretora. "E o namorado dela também gritava. Depois que eu publiquei o que aconteceu nas redes sociais, apareceu gente dizendo que ele deu inclusive umas bicudas na porta."

Ainda tomada de fúria, Fernanda teria arremessado um copo "de vidro grosso" no rosto de Milka, que não teve tempo de se defender. Com o choque, o copo se quebrou e os estilhaços provocaram um corte profundo no lado direito do rosto da vítima.

Eu me olhei no espelho, a pele estava descolada, caindo. Eu fiquei sem ação, paralisada.
Milka Borges da Silva, 33

Por sorte, havia uma "profissional de saúde" no banheiro, que trancou Milka em uma das cabines para protegê-la de novos ataques.

"Meu rosto estava todo ensanguentado, ela disse que eu tinha de ser atendida imediatamente." Levada para o Sameb (Serviço de Assistência Médica) de Barueri, perto de onde mora, Milka enfrentou três cirurgias, e agora deve passar por uma plástica facial.

"Ela teve uma hemorragia interna, o sangue desceu para o peito. Os médicos precisaram drenar, para que não ocorram novas complicações", disse hoje a irmã de Milka, Meire, no 34º distrito policial de SP, onde a vítima foi prestar depoimento.

"Não quero vingança, quero justiça"

Na entrevista para as televisões, Milka disse que perdoa a agressora e espera "que isso tudo sirva para ela refletir sobre as próprias atitudes e possa melhorar como ser humano". "Eu não quero vingança, eu quero justiça", afirmou, no distrito.

Procurado, o dono do restaurante, Ricardo Lima, não quis se manifestar. Através de sua assessoria, emitiu uma nota para a imprensa em que se exime da responsabilidade sobre o ocorrido.

A nota:

"O Iulia Restaurante lamenta profundamente o episódio de desentendimento entre duas frequentadoras no seu sanitário feminino, na noite de 11/01, e que acabou resultando em ferimentos à sra. Milka Borges.

Em seus 3 anos de funcionamento, jamais registramos fato semelhante em nosso restaurante.

Ressaltamos que a acusada de agressão pela denunciante não é sócia e nunca fez parte de nosso restaurante e que deverá responder pelas consequências de seus atos.

Prestamos nosso apoio e solidariedade à sra. Milka Borges pela lamentável ocorrência em nosso estabelecimento e estamos à disposição das autoridades responsáveis para colaborar com o devido esclarecimento dos fatos."

Dono do restaurante dá detalhes

Em um grupo do aplicativo WhatsApp, Lima postou uma mensagem em que conta mais detalhadamente o que chegou a ele sobre a briga. Basicamente, ele reafirma o relato de Milka. Põe a responsabilidade toda em Fernanda. A assessoria de Lima não quis informar o contato dela (no trecho a seguir foi mantida a mensagem original, com eventuais erros de português).

"Eu e o Iulia não temos qualquer relação com o ocorrido. O fato se deu entre uma cliente e a Fernanda, minha cunhada.

Pelo que me contaram algumas pessoas foi uma briga entre as duas, onde a Fernanda entrou na cabine do banheiro furando uma fila e a cliente ficou puta. Ao entrar na cabine a cliente ficou puta da vida esmurrando a porta e xingndo a Fernanda, que saiu do banheiro toda puta falando que ia botar essa cliente para fora, que ela n sabia com quem estava falando.

Nisso empurrou a cliente que revidou batendo nela. A Fernanda saiu puta chamou controlador da porta para colocar para fora essa menina e, antes que eles pudessem chegar na cliente, a Fernanda foi e jogou um copo de vidro na cara da cliente.

Nisso os funcionários do iulia chegaram e conseguiram apartar a briga e n deixaram acontecer mais nada. Em nenhum momento nenhum Funcionario auxiliou a Fernanda a bater em ninguem, mto menos segurou a menina para que a Fernanda quebrasse um copo na cara da menina.

Foi tudo culpa e atitude exclusiva da Fernanda. Eu, no momento da confusão, estava lá fora no deck, curtindo c meus anigos sem ter a menor ideia do que estava acontecendo."

Jockey afirma que soube pelas redes sociais

Milka afirma que Ricardo Lima a procurou, "quando eu já estava sentada no meio fio, aguardando que meus amigos me levassem para o hospital". "Ele disse que infelizmente o segurança não estava por perto [quando tudo aconteceu], sendo que o segurança acompanhou tudo", diz.

O Jockey Clube, onde o restaurante funciona há três anos, também publicou uma nota, informando que "tomou conhecimento do acontecido por meio das redes sociais e vai abrir uma sindicância interna para pedir esclarecimentos ao locatário".

O nome do restaurante é uma homenagem à irmã dos donos, a atriz Julia Lima, morta em 2015, aos 27 anos, em decorrência de um erro médico.

Paulo Sampaio