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No recorde de mortes, Bolsonaro libera fuzis do Exército para a subversão

Fuzis 7.62 e 5.56 agora também para civis. Sem rastreamento, vão parar nas mãos das milícias e do narcotráfico. É o investimento na guerra civil - Reprodução
Fuzis 7.62 e 5.56 agora também para civis. Sem rastreamento, vão parar nas mãos das milícias e do narcotráfico. É o investimento na guerra civil Imagem: Reprodução
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

05/06/2020 09h08

Num dia trágico para a saúde dos brasileiros como esta quinta-feira, não se diga que o presidente Jair Bolsonaro não está preocupado com a morte. Está, sim. Ele decidiu que a Imbel, a indústria de armas subordinada ao Exército brasileiro, pode vender para privados fuzis 5.56 e 7.62. Até agora, tais armas eram privativas das Forças Armadas e das polícias. Em tese, e só em tese, eles só podem ser comprados para caça, treino e proteção da propriedade rural.

Quem garante que a arma fica com o comprador? Ninguém. Por intermédio da Portaria 62, Bolsonaro revogou o rastreamento de armas e munições no país. Caso continue em vigor — há uma ação do PSOL no STF contra a medida —. fuzis vendidos pelo Exército Brasileiro poderão cair nas mãos das milícias e do narcotráfico sem qualquer controle. Em outra portaria, do dia 23 de abril, o presidente multiplicou por 33 a quantidade de munição, também não rastreável, que pode ser comprada por civis: de 200 unidades por ano para 550 por mês.

Na famosa reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro deixou claro que tem a intenção de armar a população para uma eventual guerra civil em nome do que ele chama "liberdade". Seu plano subversivo está em curso. Nesse caso, parte das armas com que pretende que brasileiros façam correr o sangue de brasileiros terá origem no Exército.

Relembro a sua fala na reunião:
"O que esses filha de uma égua quer, ô Weintraub, é a nossa liberdade. Olha, eu tô, como é fácil impor uma ditadura no Brasil. Como é fácil. O povo tá dentro de casa. Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai ter um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui! Que é fácil impor uma ditadura! Facílimo! Um bosta de um prefeito faz um bosta de um decreto, algema, e deixa todo mundo dentro de casa. Se tivesse armado, ia pra rua. E se eu fosse ditador, né?, eu queria desarmar a população, como todos fizeram no passado quando queriam, antes de impor a sua respectiva ditadura. Aí, que é a demonstração nossa, eu peço ao Fernando e ao Moro que, por favor, assine essa portaria hoje que eu quero dar um puta de um recado pra esses bosta! Por que que eu tô armando o povo? Porque eu não quero uma ditadura! E não dá pra segurar mais! Não é? Não dá pra segurar mais. Quem não aceitar a minha, as minhas bandeiras, Damares: família, Deus, Brasil, armamento, liberdade de expressão, livre mercado. Quem não aceitar isso, está no governo errado. Esperem pra vinte e dois, né? O seu Álvaro Dias. Espere o Alckmin. Espere o Haddad. Ou talvez o Lula, né? E vai ser feliz com eles, pô! No meu governo tá errado! É escancarar a questão do armamento aqui. Eu quero todo mundo armado! Que povo armado jamais será escravizado".

Frase praticamente idêntica foi dita por Mussolini em 1937.

No dia em que o país bate recorde de mortes por Covid-19, por que seria ele a dar uma contribuição à vida?

Reinaldo Azevedo