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Reinaldo Azevedo

Bolsonaro tenta acalmar investigados. Razão do pânico: uma delação premiada

Presidente Jair Bolsonaro: sua carta é um recado para que aliados se acalmem. Medo de delação premiada - Jair Bolsonaro|Jorge William
Presidente Jair Bolsonaro: sua carta é um recado para que aliados se acalmem. Medo de delação premiada Imagem: Jair Bolsonaro|Jorge William
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa “O É da Coisa”, na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário — e frequentemente é necessário —, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

17/06/2020 08h14

É claro que a carta de Jair Bolsonaro está mandando um recado. Desta feita, não é dirigida aos adversários, mas aos amigos que caíram nas malhas do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Embora o presidente não cite as investigações que colhem seus amigos, é sobre isso que está a falar, como todos sabem. O trecho mais importante é este:
"Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros."

O que o presidente está dizendo aos investigados é isto: "Ninguém solta a mão de ninguém".

O temor, obviamente, é que uma delação premiada venha a provocar um "strike" no governo e na cúpula bolsonarista.

Não dá para saber o que significa "tomar todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros".

Que risco correm os brasileiros?

Bolsonaro pretende se imiscuir na investigação? Vai mobilizar a estrutura do Executivo para obstar o trabalho do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça?

Precisa é tomar cuidado para não meter os pés pelas mãos.

Com alguma esperança na razoabilidade, poderia dizer que o presidente pode ter acordado de um transe, imaginando que aquela escalada de violência contra as instituições caminharia, sem limites, até a vitória final — seja lá o que isso signifique.

Bem, não será assim.

De resto, convenham: é difícil, depois de tudo o que já houve no Brasil, acusar o Ministério Público Federal de estar a serviço do comunismo, não é mesmo?

Mais fácil seria tentar não praticar crimes. Ocorre que há entre os investigados aqueles que só têm existência na vida pública em razão do crime.

Bolsonaro está prometendo aos que estão caindo nas malhas do MPF e da PF que ele vai dar um jeito.

A depender da falta de jeito com que se entregue a tal intento, estará prejudicando a si mesmo, mas sem ajudar ninguém.

Alô, senhores procuradores! Daqui é pouco é hora de lembrar os investigados que existe a Lei 12.850, a que trata das organizações criminosas e da delação premiada.

Sugiro a alguns valentes que sabem o que fizeram no verão passado que passem a considerar a hipótese.

Reinaldo Azevedo