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Reinaldo Azevedo

Coluna na Folha: Na política, existem as mentiras que salvam e as que matam

Cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus. Local é um dos símbolos do que a incompetência, a incúria e a má-fé fizeram aos brasileiros - Michel Dantas - 25.fev.21/AFP)
Cemitério Nossa Senhora Aparecida em Manaus. Local é um dos símbolos do que a incompetência, a incúria e a má-fé fizeram aos brasileiros Imagem: Michel Dantas - 25.fev.21/AFP)
Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

11/06/2021 08h08

Leiam trechos:
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Todo político mente um pouco. Há nessa frase possível ranço de preconceito. Em algum grau, mentimos todos. Por simpatia, benevolência, etiqueta... Sem o tempero do engano e do autoengano, terminamos na guilhotina ou na fogueira, com os inquisidores, claro!, a rezar por nossa alma em nome do bem, do belo e do justo. Uma mentira aqui e outra ali são uma forma de ajuste social. Garantem o funcionamento do sistema. Como tudo na vida, também as inverdades estão submetidas a uma escala.
(...)
No Brasil, ninguém transformou o engodo num desiderato, num objetivo a ser alcançado, como faz Jair Bolsonaro. As coisas assombrosas que diz e faz o transformam em algo mais do que o ser meio apalhaçado. Ele não fala no vácuo. É uma força mobilizadora para o caos.
(...)
Há, em suma, diferença entre as mentiras que garantem a funcionalidade do sistema e o crime. As contadas por Bolsonaro matam pessoas, agridem as instituições, ferem princípios civilizatórios. Tratar as suas afirmações e postulações como expressões legítimas num arco de opiniões possíveis corresponde a compactuar com seus crimes. Ser tolerante com a intolerância não é nem bondade nem prudência. Ou é estupidez ou é conivência.
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