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Reinaldo Azevedo

Na Folha: O mimimi dos reacionários é manifestação da covardia ressentida

Bonecos sob o arco-íris, símbolo do movimento LGBTQIA+. Sob o manto da liberdade de expressão, grupos organizados reivindicam, na verdade, o suposto direito de oprimir os alvos de sempre, como se fosse uma tradição que devesse ser conservada -  Karime Xavier/Folhapress
Bonecos sob o arco-íris, símbolo do movimento LGBTQIA+. Sob o manto da liberdade de expressão, grupos organizados reivindicam, na verdade, o suposto direito de oprimir os alvos de sempre, como se fosse uma tradição que devesse ser conservada Imagem: Karime Xavier/Folhapress
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Reinaldo Azevedo

Reinaldo Azevedo, que publicou aqui o primeiro post no dia 24 de junho de 2006, é colunista da Folha e âncora do programa "O É da Coisa", na BandNews FM. No UOL, Reinaldo trata principalmente de política; envereda, quando necessário - e frequentemente é necessário -, pela economia e por temas que dizem respeito à cultura e aos costumes. É uma das páginas pessoais mais longevas do país: vai completar 13 anos no dia 24 de junho.

Colunista do UOL

19/11/2021 07h13

Leiam trechos da minha coluna na Folha de hoje:
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pessoas bastante preocupadas com o que consideram "mimimi" excessivo e patrulheiro de mulheres, comunidade LGBTQIA+, negros... A militância identificada com a defesa dos direitos dessas comunidades e a adesão de meios de comunicação e empresas a seus valores constituiriam um misto de censura e exclusivismo moral, escrevendo, então, a cartilha de um novo autoritarismo, essencialmente hipócrita porque, na fórmula conhecida, seria a homenagem do vício à virtude. Pois é... A muitos cansa, então, a reivindicação de mais direitos ou da correção da linguagem por um padrão que, ao se pretender mais inclusivo, imporia limites à liberdade de expressão. Entendo o ponto. Mas a mim, confesso, cansa mais o chororô dos que veem cassada a licença que lhes parecia tão natural, caída da árvore dos acontecimentos, para atacar os humilhados de sempre. Ou para transformá-los em alvos de riso ou escárnio. Ou para submetê-los ao enxovalho público. Seu pecado essencial? Ser quem são. O mimimi dos reaças é só manifestação da covardia ressentida.

As palavras movem; os exemplos arrastam. Aprendi no meu interior que não era correto "judiar" dos animais. No antigo ginásio, já lá se vão quase 50 anos, uma professora explicou a origem do vocábulo "Judiar". Significava ou "ser mau como um judeu" ou dispensar a outrem tratamento que seria "próprio aos judeus". Ficou claro, com o entendimento de que eu era capaz então, que "judiação", qualquer que fosse a explicação, não revelava necessariamente a intencionalidade do falante, mas reiterava uma história de perseguição que havia restado na cultura. "Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino", escreveu São Paulo. A etimologia e a história dessas palavras, entre outras, ajudaram a me fazer adulto. Minha família e seu entorno não eram antissemitas; nem mesmo tinham formação e informação suficientes para participar de porfias dessa natureza. A ignorância de causa desculpa, mas não muda a carga histórica que podem ter os vocábulos. A educação era e é o caminho do esclarecimento. Sim, passei a "patrulhar" os próximos: "Não se deve dizer isso! Sabem o que significa?"
(...)
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