Foragido, suspeito de matar Glauco disse que era Jesus no momento do crime

Arthur Guimarães
Guilherme Balza

Do UOL Notícias
Em Osasco (SP)

Atualizada às 21h14

O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24, identificado como o principal suspeito do assassinato do cartunista Glauco Villas Boas, 53, e de seu filho Raoni, 25, era conhecido da família e estaria transtornado no momento do crime, segundo a polícia. O assassinato ocorreu na madrugada desta sexta-feira (12) em Osasco, na Grande São Paulo.

Com base nos depoimentos colhidos até agora pelo delegado Arquimedes Cassão Veras Júnior, da Delegacia Seccional de Osasco, as investigações apontam que não houve tentativa de assalto e que se trata de um homicídio. A polícia já ouviu cinco testemunhas nesta sexta (12), entre elas Juliana, enteada do cartunista.

Segundo o delegado, Juliana relatou ter sido rendida, em sua própria casa, que é vizinha da casa de Glauco. Com uma arma apontada para a cabeça, ela foi levada à força para a casa do cartunista. Ambos entraram na casa de Glauco, que foi recebê-los.

  • Polícia divulga retrato do suspeito, Carlos Eduardo Sundfeld NunesInvestigações

Pelas declarações colhidas pelas autoridades, o assassino estava “totalmente transtornado, muito possivelmente drogado”. “Ele não falava coisa com coisa. Dizia coisas desconexas como, por exemplo, que queria se matar ou queria que Glauco o acompanhasse à casa de sua mãe, para explicar para ela que ele seria Jesus Cristo”, disse o delegado.

Ainda segundo o delegado, depois disso, irritado com as negativas de Glauco, o assassino teria desferido uma coronhada no cartunista. Logo depois, começou a atirar no mesmo instante que o filho de Glauco chegava ao local. O filho, Raoni, também foi atingido pelos disparos. Depois de atirar, o suspeito, reconhecido por testemunhas, fugiu em um carro que estaria na porta da casa com outra pessoa, não identificada.

O delegado disse ainda que o suspeito, que era conhecido da família, teria tentado cometer suicídio durante a discussão, e que Glauco teria tentado fazer com que ele mudasse de ideia. 

O jovem faria parte de um grupo que frequentava a igreja Céu de Maria, da qual Glauco foi fundador e era coordenador. A igreja receberia até 400 visitantes aos finais de semana, segundo vizinhos, e seguia a doutrina do Santo Daime. Ficava no mesmo terreno da casa de Glauco, na região da Estrada Portugal, no Jardim Três Montanhas, em Osasco (Grande SP).

Também foram ouvidos pela polícia o avô e o pai do suspeito. Eles relataram que o rapaz era “problemático” e já teria passado por tratamentos psicológicos e psiquiátricos e tinha uma relação conturbada com drogas. Eles disseram ao delegado que ainda não tiveram nenhum contato com o rapaz após o crime e que estão dispostos a encontrá-lo.

A motivação para o início dos disparos não está completamente esclarecida. Segundo o delegado, não é possível afirmar que o crime foi premeditado.

Hipóteses iniciais
Inicialmente, a hipótese da polícia era a de que se trataria de uma tentativa de assalto praticada por dois homens. Horas depois, foi divulgada a informação de que o boletim de ocorrência indicava a participação de um terceiro suspeito. Depois, uma testemunha reconheceu o suspeito como um frequentador do local.

O advogado da família e amigo de Glauco há mais de dez anos, Ricardo Handro, chegou a afirmar que dois homens armados invadiram o sítio em uma tentativa de assalto. Ao tentar persuadir um dos bandidos, Glauco foi alvejado com quatro tiros à queima roupa. O filho, ao chegar da faculdade, também foi atingido ao reagir.

Segundo pessoas próximas, na última quarta-feira (10), no Céu de Maria, foi feito um grande trabalho de celebração pelo aniversário do Glauco, que reuniu mais de cem pessoas.

Hoje os membros fazem um novo trabalho por causa da morte, seguindo a doutrina iniciada na década de 1930 pelo seringueiro brasileiro chamado Raimundo Irineu Serra, ou Mestre Irineu, como seus seguidores o chamam.

Opinião

Glauco ajudou a dar cara aos quadrinhos brasileiros de humor

Perfil
Glauco é conhecido por suas charges publicadas desde 1977 no jornal Folha de S.Paulo.

Criador de personagens como Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge, Geraldinho e Geraldão, seu ingresso no jornalismo se deu nos anos 70, graças ao jornalista Hamilton Ribeiro, que dirigia o "Diário da Manhã", em Ribeirão Preto, e tirou o paranaense da fila do vestibular para Engenharia.

Alguns anos mais tarde, em 1976, a premiação no Salão de Humor de Piracicaba abriu as portas do jovem cartunista para a grande imprensa.

Em 1977, Glauco começou a publicar suas tiras esporadicamente na Folha de S. Paulo. A partir de 1984, quando a Folha dedicou espaço diário à nova geração de cartunistas brasileiros, Glauco passou a publicar suas charges periodicamente.

 

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