Bombeiros continuam a procurar vítimas no morro do Bumba; Defesa Civil tenta elaborar lista de desaparecidos

Daniel Milazzo
Especial para o UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Na segunda-feira, dia 5 de abril, o Rio de Janeiro viu o céu ficar cinza-chumbo. A chuva que começaria a cair naquela tarde e duraria mais de 24 horas equivaleria a mais do que o volume pluviométrico geralmente registrado em todo o mês de abril. Muito além do caos no trânsito, cariocas e fluminenses tiveram de enfrentar a perda de moradias, e pior, a perda de vidas.

Segundo o Corpo de Bombeiros, já são 256 as vítimas confirmadas. Niterói é o município com o maior número de mortos: 168. Apenas no morro do Bumba, até o momento foram encontrados 48 corpos. Durante o dia, 95 bombeiros continuam trabalhando na localidade à procura de corpos. À noite e durante a madrugada, 32 homens seguem nas buscas.

Defensoria Pública, Defesa Civil, médicos de Saúde da Família e a concessionária de energia de Niterói tentam elaborar uma lista de desaparecidos, mas estão com dificuldades para chegar a um número definitivo de pessoas a serem encontradas. O morro do Bumba é o único local onde o Corpo de Bombeiros ainda possui equipes trabalhando na busca de vítimas.

No Rio de Janeiro, o Morro dos Prazeres, comunidade no bairro de Santa Teresa, na zona central, foi o local que contabilizou o maior número de mortos. Ao todo, 31 pessoas morreram devido ao deslizamento de terra que soterrou doze casas e uma igreja evangélica.

Até o momento, segundo levantamento da Defesa Civil do Estado do Rio, 61.954 pessoas estão desalojadas e 12.581 estão desabrigadas. Outros municípios que registraram mortes em virtude das chuvas foram São Gonçalo, Petrópolis, Nilópolis, Magé e Engenheiro Paulo de Frontin.

A promessa de uma casa nova

Alguns dias após as fortes chuvas, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes anunciou a remoção em oito comunidades por configurarem área de risco. São elas: Morro dos Prazeres e Fogueteiro (Santa Teresa), São João Batista (Botafogo), Laboriaux (alto da Rocinha), Cantinho do Céu e Pantanal (Rio Comprido), Parque Columbia (Acari) e morro do Urubu (Pilares).

Neste domingo (18), cinco famílias de desabrigados da comunidade de Pilares receberam do prefeito, do governador do Estado, Sérgio Cabral, do ministro das Cidades, Márcio Fortes, e da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho, chaves de novas moradias no bairro de Realengo. Os 250 apartamentos do condomínio Vivendas do Ypê Amarelo fazem parte do Programa de Arrendamento Familiar (PAR), mas foram inseridos no projeto do governo federal “Minha Casa, Minha Vida”. A promessa é a de que ainda nesta semana 50 famílias do morro do Urubu se mudem para o conomínio.

Segundo o ministro Márcio Fortes, até julho serão disponibilizadas 3.380 novas moradias na capital fluminense e em Niterói. Estuda-se a construção de novos apartamentos em Triagem e no local anteriormente ocupado pelo complexo penitenciário Frei Caneca, próximo ao centro da cidade. O complexo, o mais antigo do país, foi implodido em março deste ano.

No entanto, Elisa Brandão, presidente da Associação de Moradores do Morro dos Prazeres, reflete o sentimento de uma comunidade. “Há aqui uma revolta geral. Querem nos colocar em gaiolas no Frei Caneca. E vão utilizar essa região para especulação imobiliária.” Àqueles que não serão imediatamente deslocados para novas residências, é prometido o aluguel social, no valor de R$ 400.

O governador Sérgio Cabral declarou que R$ 1 bilhão será investido em habitação no Estado. O governador tenta conseguir um empréstimo no Banco Mundial para a construção de novas casas.

Por sua vez, a Prefeitura do Rio anunciou nesta segunda-feira o uso de R$ 200 milhões para reerguer a cidade. Obras de contenção de encosta serão realizadas em 23 vias, 24 rios e canais serão limpos e 17 comunidades – entre elas, o Morro dos Prazeres – serão reestruturadas.

No Parque Nacional da Tijuca, ainda há mais de 200 barreiras a serem removidas, informa o comandante Zacarias Barbosa, do grupo de defesa ambiental da Guarda Municipal. “Ainda tem muita coisa a ser feita. O trabalho deve durar meses.”

Equipes da saúde em alerta

Após as enchentes, aumenta também a preocupação com a proliferação de doenças por meio da água contaminada. Entre elas, há um alerta especial para a leptospirose, transmitida pela urina do rato. Contudo, até agora apenas um caso da doença foi registrado.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio (SMSDC), há equipes atuando nos abrigos da prefeitura a fim de avaliar e medicar os desabrigados. A SMSDC também adianta que cuidados especiais estão sendo tomados em relação aos possíveis focos de dengue, ainda que esta época não se caracterize por surtos da doença.

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