Missionárias temem violência no PA com soltura de fazendeiro do caso Dorothy

Gilberto Costa
Da Agência Brasil
Em Brasília

As irmãs Notre Dame, colegas da missionária Dorothy Stang, assassinada em fevereiro de 2005, temem o aumento da violência na região com a decisão da desembargadora Maria de Nazaré Silva Gouveia dos Santos, do Tribunal de Justiça do Pará, que concedeu liberdade provisória a Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão. O réu, acusado de ser um dos mandantes do crime, foi condenado a 30 anos por júri popular há 19 dias.

Para a irmã Jane Dwyer, com a soltura, volta o clima de insegurança em Anapu. Segundo a missionária, as sete pessoas que fizeram parte do júri popular do dia 30 de abril também “estão expostas”. Ela afirma que o habeas corpus em favor de Taradão deixa a Justiça do Pará desacreditada. “Por esse temor, foi que pedimos inicialmente a federalização do caso no Supremo Tribunal Federal.”

Fazendeiro condenado por morte de Dorothy aguardará julgamento em liberdade

O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, foi beneficiado por um habeas corpus ontem (18) e poderá aguardar em liberdade o julgamento de um recurso de apelação contra sua sentença condenatória. No último dia 1º de maio, ele foi condenado a 30 anos de prisão por ser considerado um dos mandantes do assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang

No pedido de liberdade, os advogados de defesa alegaram que Taradão é réu primário, tem bons antecedentes e ocupação lícita. Segundo a acusação, pesa contra o réu diversos processos por grilagem de terra e a ocupação de fazendeiro não está clara uma vez que as terras para pastos, com um rebanho de 15 mil cabeças de gado, estão em nome de supostos laranjas.

A acusação alerta ainda que, com o habeas corpus, Taradão possa ficar solto por tempo indefinido já que o processo de apelação pode levar anos para ser julgado.

A acusação “acha estranho” que o habeas corpus tenha sido julgado pela desembargadora Maria de Nazaré, quando todo o caso foi analisado pela desembargadora Vânia Silveira.

De acordo com o advogado de defesa, César Ramos, a decisão da desembargadora se baseou no princípio constitucional da presunção da inocência e em decisões da Justiça, como o Supremo Tribunal Federal, contrárias à manutenção de pessoas presas quando ainda cabe recurso.

Além do habeas corpus de Regivaldo Galvão, o Tribunal de Justiça do Pará tem o pedido para anular o julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, também condenado a 30 anos de prisão pela morte da missionária. Nesse caso, o pedido é para a anulação do julgamento. A defesa alega que não teve prazo suficiente para analisar o processo.

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