CDHU nega uso de material de má qualidade em casas populares e diz que corrigirá defeitos

Guilherme Balza

Do UOL, em São Paulo

A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo) disse, em nota, que os materiais utilizados em conjuntos habitacionais populares são de boa qualidade e que irá corrigir os problemas que apareceram em obras realizadas pelo órgão.

A afirmação foi feita após a reportagem do UOL questionar a estatal sobre a série de defeitos nos residenciais Brasilândia B34, no Jaraguá, zona norte da capital, inaugurado em janeiro de 2011, e Pari A1/A2, na região central de São Paulo, entregue às famílias em maio de 2010.

Os prédios acumulam vários problemas: rachaduras em colunas, infiltrações, falhas nos encanamentos que alagam os apartamentos, muros de arrimo que podem desabar a qualquer momento, barrancos completamente desprotegidos bem ao lado dos prédios, fiações expostas, falta de iluminação em áreas comuns, garagem sem acesso, entre outros.

A reportagem visitou os dois conjuntos acompanhada do engenheiro urbanista Vagner Landi, que analisou a parte interna e externa das edificações. “Os imóveis estão sem condições de higiene e de habitabilidade. Usaram materiais de péssima qualidade. A parte hidráulica e elétrica foi mal executada. Esses problemas não são culpa dos moradores”, afirmou.

Sobre o condomínio Brasilândia B34, a CDHU afirma que tem mantido contato constante com os moradores e que todos os problemas informados estão sendo resolvidos pela construtora. A estatal diz que o muro de arrimo que ameaça cair será reparado e que colocará grama no barranco que põe em risco a integridade física dos moradores.

DECLARAÇÃO E DEMISSÃO

A gente conhece o nível de educação [dos moradores]... O pessoal veio da favela. Não está acostumado a viver em casa

Milton Vieira de Souza Leite, ex-diretor regional da CDHU, ao comentar defeitos em casas recém-inauguradas em Ribeirão Preto (SP), em janeiro; ele pediu demissão após a declaração

A CDHU diz que fez a revisão da rede de telefonia e que, agora, os moradores irão poder instalar telefones. O Habite-se, diz a estatal, está sendo providenciado, e as plantas dos imóveis devem ser solicitadas à CDHU pelo síndico. Com relação à rachadura na coluna, pintura descascando, fiação exposta, falta de iluminação e alagamentos nos apartamentos por problemas no encanamento, a empresa diz que irá verificar e tomará as providências necessárias.

Já com relação ao conjunto Pari A1/A2, a CDHU afirma que as unidades foram vistoriadas e que serão feitos os serviços necessários nas áreas comuns do residencial, “que inclui iluminação condominial, reparos nos telhados e calhas, rede de esgoto, para-raios, pintura externa e construção de muros divisórios”.

Além disso, nas últimas semanas, a CDHU enviou técnicos para fazer uma vistoria interna em apartamentos do prédio Pari A2. Eles prepararam um laudo que irá determinar as ações que deverão ser feitas nos imóveis.

HABITAÇÃO X SEGURANÇA

  • R$ 1,6 bilhão

    é o que o governo de São Paulo gastou com habitação em 2011

     

  • R$ 12,2 bilhões

    valor gasto com segurança pública no mesmo período

     

A reportagem questionou a ocorrência de vários defeitos em prédios da CDHU em diversas cidades de São Paulo nos últimos meses. A estatal afirmou que “todos os empreendimentos da CDHU são fiscalizados durante a construção” e que “as construtoras utilizam materiais certificados pelo Programa Estadual de Qualidade na Construção Civil (Qualihab).”

“Após a entrega das moradias, caso ocorram eventuais problemas construtivos, a construtora responsável pela obra é acionada para resolvê-los o mais breve possível. Cabe esclarecer, entretanto, que os serviços de manutenção e os cuidados com as instalações são de responsabilidade dos moradores. A CDHU já entregou cerca de 500 mil imóveis em todo o Estado e eventuais problemas pontuais vem sendo prontamente solucionados”, afirma a estatal.

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