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Prejuízo após protesto foi de pelo menos R$ 1,5 mi, diz presidente da Alerj

Interior da Alerj sofreu depredações após grupo de manifestantes que participava de marcha pelas ruas do Rio invadir o local - Alessandro Buzas/Futura Press
Interior da Alerj sofreu depredações após grupo de manifestantes que participava de marcha pelas ruas do Rio invadir o local Imagem: Alessandro Buzas/Futura Press

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

18/06/2013 12h19Atualizada em 18/06/2013 17h20

O presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), deputado Paulo Melo (PDMB), estimou nesta terça-feira (18) que o prejuízo causado na sede do Legislativo fluminense na noite de segunda-feira (17) durante o ato no centro da capital fluminense contra o aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,75 para R$ 2,95 foi de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões.

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Segundo Melo, 30% dos vidros franceses da parte de trás do prédio e várias vidraças dentro do Palácio Tiradentes foram quebradas pelos manifestantes. O mobiliário no salão nobre da casa também foi danificado. Além do prédio da Alerj, também ocorreram atos de vandalismo no Paço Imperial e na Igreja de São José, que ficam no entorno. "O maior prejuízo foi imaterial. (...) Até na época da ditadura, quando se lutava pela democracia, as pessoas preservavam o patrimônio histórico", afirmou Melo.

"Mas a prova cabal de que a passeata foi pacífica é que ela terminou na Rio Branco. Seria desonesto não separar a passeata ordeira da Rio Branco com os vandalismos que ocorreram na Alerj. (...) Eu me nego a usar a nomenclatura de protesto [para definir os atos de vandalismo que ocorreram no prédio da Assembleia Legislativa]", disse o deputado.

Melo disse ainda que está em contato com a chefe de Polícia Civil, Martha Rocha, e pede que a instituição faça uma "apuração rigorosa". Agentes do ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli) fizeram uma perícia preliminar para avaliar os estragos. "Exigimos que essas pessoas sejam identificadas", afirmou.

Questionado sobre um possível reforço na segurança para o sexto protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, marcado para a próxima quinta-feira (20), o presidente da Alerj disse esperar o posicionamento das autoridades de segurança pública. "A Casa está trabalhando normalmente. Hoje temos expediente e quinta, também", disse.

A manifestação de segunda, inicialmente pacífica, terminou em uma confusão generalizada que deixou pelo menos 28 pessoas feridas, sendo 20 policiais militares. Os PMs que precisaram ser levados a hospitais na noite de segunda-feira integravam o grupo de 72 que permaneceram sitiados dentro da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro). Eles foram atacados a pedradas e coquetéis molotov quando formavam um cordão de segurança em frente à escadaria do Palácio Tiradentes (sede do Legislativo fluminense). Acuados, trancaram-se dentro da Alerj, onde formaram barricadas com sofás, móveis e latões de lixo na entrada principal, pela avenida Primeiro de Março, e pelos acessos laterais da rua da Assembleia.

Ao redor da Alerj, a situação, ao amanhecer, era desoladora. As carcaças de dois carros queimados na lateral do palácio (rua São José)impressionava os quem chegavam ao Rio pelas barcas de passageiros que ligam a capital ao município de Niterói.

A destruição parcial do prédio histórico e as pichações em todas as edificações da região da Praça 15 destacavam-se em uma paisagem repleta de garis e profissionais do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM), que ocuparam a área ao final da noite de ontem.

Praticamente todas as lojas, bares, restaurantes, farmácias e bancos nas ruas da Assembleia e São José foram depredados e saqueados.

  • Arte UOL

Reforço policial

Segundo Paulo Melo, no momento da invasão da Alerj havia 75 PMs destacados para atuar na segurança do prédio, além dos 25 seguranças da casa. Cerca de 300 manifestantes agoram com violência no local, jogando pedras e bombas e destruindo o entorno da casa legislativa, como caixas eletrônicos, bares e restaurantes.

O reforço policial demorou mais de duas horas para chegar ao local. "Eles entravam e saíam das lojas à vontade. Das 19h30 às 22h, não tinha policiamento. Eles tiveram tempo de agir, não estavam sendo reprimidos. Foi terrível de ver. A rua virou uma praça de saque", contou um comerciante, que preferiu não se identificar.

"A PM estava aqui desde o começo. Quem decidiu a hora da tropa de choque fui eu, em conjunto com o governador [Sergio Cabral]", afirmou o presidente da Alerj. Segundo ele, a preocupação era de que não houvesse confronto entre os manifestantes e a polícia. Melo disse ainda que considera 75 policiais um bom número para a segurança do local, ressaltando que em outras manifestações, o efetivo é de 30 a 40 PMs.

Melo também elogiou a postura dos seguranças da Casa, que, segundo ele, agiram de forma "heroica". "Foi um trabalho esplendoroso. Eles resistiram de forma quase que heroica para impedir a invasão", declarou Melo. Segundo ele, os seguranças não utilizam armas de fogos, apenas os policiais militares do 5º BPM que trabalham permanentemente na Alerj.

Melo ainda enalteceu o fato de que a biblioteca da Alerj não sofreu prejuízos. De acordo com o deputado, a biblioteca é um grande patrimônio histórico-cultural da cidade. Para o presidente do Legislativo fluminense, a Alerj não tem nada a ver com a questão do reajuste da tarifa de ônibus, que está previsto no contrato firmado entre a Prefeitura do Rio e as concessionárias, mas foi escolhida pelos manifestantes por ter "visibilidade política". "Mas eles também depredaram o Paço Imperial. Será que tinha alguém revoltado com Dom João 6º?", ironizou.

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