PUBLICIDADE
Topo

Cotidiano

Público faz peregrinação para pegar ônibus e metrô após missa com o papa

Longa fila de peregrinos se forma na única entrada acessível para a estação Siqueira Campos do metrô, na zona sul do Rio de Janeiro - Gabriela Fujita/UOL
Longa fila de peregrinos se forma na única entrada acessível para a estação Siqueira Campos do metrô, na zona sul do Rio de Janeiro Imagem: Gabriela Fujita/UOL

Carolina Farias e Júlia Affonso

Do UOL, no Rio

25/07/2013 21h19

Com a fila para entrar na estação de metrô Cardeal Arcoverde, na zona sul do Rio de Janeiro, ultrapassando os cinco quarteirões e os ônibus ainda proibidos de circular por Copacabana, muitos peregrinos preferiram rumar a pé até Botafogo. O Túnel Novo ficou tomado de pessoas que caminhavam até a estação do metrô Botafogo ou até os bolsões onde estão estacionados os ônibus no bairro.

Um grupo de cerca de 20 pessoas de Brasília, que está hospedado em Coelho Neto, na zona norte da cidade, seguia em direção ao túnel. “Fomos orientados a pegar o metrô lá”, disse Felipe Oliveira, 26. Outro grupo, do Mato Grosso do Sul e do Paraná, estava sem direção. Com fome, eles planejavam chegar ao shopping Rio Sul, do outro lado do túnel, para jantar e então seguir para Campo Grande, bairro onde estão hospedados, a cerca de 60 quilômetros do centro de Copacabana. “Estamos desde a hora do almoço sem comer”, disse Thiago Barbosa, 23.

Às 19h, a fila saía do local, entrava na rua Toneleiros, depois na rua Praça Arcoverde, pegava a rua Barata Ribeiro, seguia por ela em quatro quarteirões, e terminava na altura da rua Hilário de Gouvêa. O auxiliar de escritório Rodrigo da Silva, 29, disse que saiu antes da missa do papa Francisco, com medo de problemas no metrô. "Ele saudou as pessoas e eu saí. Moro na Baixada [Fluminense], pego metrô e depois trem. Não sei o que me espera. Pela demanda, deveria haver uma opção, além do metrô", disse ele, que esperava há 40 minutos.

Morador da Rocinha, Rodrigo Laerte, 21, não estava satisfeito com a caminhada até Botafogo. Ele foi a Copacabana com a mulher e os dois filhos pequenos e mal conseguiu enxergar o papa. “Estamos há muito tempo em pé, vai ser um sacrifício para as crianças”, disse. Os filhos têm oito e dois anos.

A aposentada Rita Dantas, 71, também reclamou. "Isso aqui está sem organização nenhuma. As pessoas passam na sua frente e não têm voluntários arrumando a fila. É uma esculhambação", disse a mineira, que saiu de Viçosa para participar da Jornada. "Vim para Copacabana e nem vi o papa, de tanta gente que tinha", reclama. Rita, no entanto, pretende voltar ao bairro no sábado (28). Após a transferência da vigília de Guaratiba para Copacabana ela disse que ficou mais animada a participar. "Lá era difícil, muito longe, não dava para eu ir. Agora que está mais perto, eu venho para Copacabana", diz ela.

Missa de acolhida

No terceiro discurso desta quinta, o papa Francisco elogiou o comportamento dos fiéis, que mesmo com chuva e frio compareceram em grande número à Jornada Mundial da Juventude. "Sempre ouvi dizer que os cariocas não gostam do frio e da chuva. Vocês estão mostrando que a fé de vocês é mais forte que o frio e que a chuva. Parabéns, vocês são verdadeiros guerreiros."

Ele também citou, pela primeira vez durante sua visita ao Brasil, o papa João Paulo 2º, ao se referir à Jornada Mundial da Juventude de 1987, realizada em Buenos Aires, a primeira fora de Roma.

"Lembro-me da primeira Jornada Mundial da Juventude a nível internacional (sic). Foi celebrada em 1987 na Argentina, na minha cidade de Buenos Aires. Guardo vivas na memória estas palavras do bem-aventurado João Paulo 2º aos jovens: 'Tenho muita esperança em vocês. Espero, sobretudo, que renovem a fidelidade de vocês a Jesus Cristo e à sua cruz redentora'", declarou Francisco.

Em seguida, o pontífice homenageou a peregrina Sophie Morinière, da Guiana Francesa, morta em um acidente de ônibus quando viajava ao Brasil. "Queria lembrar o trágico acidente na Guiana Francesa, no qual a jovem Sophie Morinière perdeu a vida, e que deixou outros jovens feridos. Convido-lhes a fazer um minuto de silêncio e dirigir ao Senhor a nossa oração por Sophie, pelos feridos e pelos familiares."

O pronunciamento foi feito diante de uma multidão de jovens que se espalharam por Copacabana, durante festa de acolhida da Jornada Mundial da Juventude. Ele chegou ao local às 17h15, vindo de helicóptero da Residência Assunção, no Sumaré, zona norte do Rio. O pontífice desembarcou no Forte de Copacabana e percorreu de papamóvel a avenida Atlântica até o Leme.

Pirata ou oficial, souvenir veste fiel dos pés à cabeça

Outro destaque do discurso foi o tom evangelizador adotado por Francisco, que fez diversas referências à Bíblia. "Olhando para este mar, para a praia e todos vocês, me vem ao pensamento o momento em que Jesus chamou os primeiros discípulos a segui-lo nas margens do lago de Tiberíades. Hoje Jesus ainda pergunta: você quer ser meu discípulo? Você quer ser meu amigo? Você quer ser testemunha do meu Evangelho?", questionou o pontífice.

"No coração do Ano da Fé, estas perguntas nos convidam a renovar o nosso compromisso de cristãos. Suas famílias e comunidades locais transmitiram a vocês o grande dom da fé; Cristo cresceu em vocês. Hoje, vim para lhes confirmar nesta fé, a fé no Cristo Vivo que mora dentro de vocês; mas vim também para ser confirmado pelo entusiasmo da fé de vocês", declarou Francisco.

O líder máximo da Igreja encerrou o discurso com novos elogios aos moradores do Rio. "Quero dizer aqui que os cariocas sabem receber bem, sabem dar uma grande acolhida."

No percurso pela avenida Atlântica, o papa bebeu um gole de chimarrão oferecido por um peregrino. No trajeto, ele acenou para os fiéis que reagiram com histeria diante do pontífice. O papamóvel parou diversas vezes durante o percurso para que o papa beijasse crianças. Em um determinado momento, ele substituiu o solidéu, uma espécie de chapéu, que estava usando por outro que ganhou de um fiel anônimo.

Cotidiano