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"A justiça foi feita", diz rapaz acusado de lançar molotov contra PM no Rio

Bruno Teles, no dia que foi preso pela PM - Hanrrikson Andrade/UOL
Bruno Teles, no dia que foi preso pela PM Imagem: Hanrrikson Andrade/UOL

Felipe Martins

Do UOL, no Rio

29/07/2013 22h46

O MPE (Ministério Público Estadual) decidiu na noite desta segunda-feira (29) arquivar o inquérito contra o manifestante Bruno Ferreira Teles, 25, acusado pela PM (Polícia Militar) de atirar um coquetel molotov contra os policiais em uma manifestação que ocorreu próximo ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, no dia da chegada do papa Francisco ao Brasil, dia 22. "A justiça foi feita", disse Teles, ao UOL, hoje, quando comemorava a decisão com parentes e amigos.

De acordo com a perícia realizada pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência do MPE, as imagens da manifestação mostram que Teles não estava posicionado no local de onde os artefatos foram arremessados.

Segundo Teles, o sentimento que prevalece agora é o de alívio. “Estou feliz ‘pra’ caramba. A justiça foi feita. Eu sempre disse que não fiz nada, não tinha nada nas mãos. Apenas gritei mais alto, porque em protesto tem que ser assim. Agora é festejar”, disse.

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De acordo com o parecer decisão da promotora de Justiça Janaina Vaz Candela Pagan, da 21ª Vara Criminal, que acolhido pela juíza Ana Luiza Coimbra Mayon Nogueira, a palavra isolada do policial militar, responsável pela prisão do manifestante, “não configura indício suficiente de autoria a justificar a deflagração da instância penal, em não havendo outras provas”.

Teles agradeceu ainda aos internautas que postaram vídeos na internet  no momento do ataque. “A internet foi uma mãe para mim. Na televisão, a minha imagem foi colocada como marginal. Foi um momento muito ruim na minha vida. Com a ajuda dos internautas tudo acabou bem”, disse.

Em um vídeo do canal de internet “Midia Ninja”, Teles aparece com uma espécie de armadura de metal que o fez ganhar o apelido de “He-Man” pelos manifestantes.  Ele disse que usou o material para se proteger de ataques durante as manifestações.

Com o arquivamento do processo, Teles disse ainda que pretende voltar aos protestos. “Agora que tudo passou, minha energia só aumenta. Se até o papa disse que é para continuar protestando. A nossa luta é por mais saúde, mais educação."

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O advogado do estudante, John Miguel Dehon, informou que entrará nos próximos dias com uma ação na Justiça contra o Estado por danos morais.

Twitter

Na noite da manifestação, a PM usou o Twitter para apontar o estudante como autor do ataque contra os policiais. A PM informou ainda que ele teria uma mochila com garrafas contendo o material incendiário.

Dois dias depois, no inquérito da Polícia Civil, o policia militar que registrou a ocorrência informava apenas que ele havia lançado a garrafa, mas não havia nenhuma referência sobre a mochila.

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Ele foi apresentado pelos PMs à imprensa ainda no local, como o autor do lançamento da primeira garrafa de molotov, fato negado pelo jovem. Um PM ficou ferido com queimaduras no tórax e foi liberado do Hospital Cetral da Polícia Militar dois dias após o protesto.

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