À Justiça, músico confirma que Kiss estava superlotada no dia de incêndio que matou 242 pessoas
Dois músicos contratados com frequência pela banda Gurizada Fandangueira foram ouvidos nesta quinta-feira (1º) pela juíza Juliana Tronco Cardoso, da 1ª Vara Judicial de Rosário do Sul, e confirmaram que o grupo usava fogos de artifício em seus shows. O baterista Eliel Bagesteiro de Lima e o guitarrista Rodrigo Lemos Martins, que moram em Rosário, também confirmaram que a boate estava superlotada na madrugada de 27 de janeiro, quando incendiou e causou a morte de 242 pessoas.
Os músicos foram ouvidos como vítimas da tragédia e os depoimentos, registrados em mídia audiovisual, serão encaminhado à 1ª Vara Criminal de Santa Maria para serem anexados ao processo que apontará os culpados pelo incêndio.
Lima, primeiro integrante da banda a ser ouvido pela Justiça, reforçou a informação de que a banda já havia usado fogos de artifício em outras apresentações na Kiss. Os artefatos, segundo ele, eram montados e acionados por Luciano Bonilha Leão, produtor da banda. Leão é um dos réus da ação criminal, juntamente com o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e de dois sócios da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann.
O músico também confirmou que a boate estava superlotada. “Levamos pelo menos 10 minutos para chegar até o palco. Era muito difícil se locomover e tínhamos que passar nos espremendo nas pessoas”, relatou à juíza.
Lima também informou que, quando tentou sair da Kiss, depois de iniciado o incêndio, teve dificuldades de locomoção porque a porta principal não estava aberta. “Saí por uma porta lateral, da ala VIP”, relatou. Segundo a investigação da polícia, a Kiss tinha apenas um acesso de entrada e saída, o que dificultou a evacuação do local durante o incêndio.
Martins, segundo integrante da banda ouvido nesta manhã, descreveu à juíza que no dia da tragédia achou que o local “era um labirinto”, devido às barras de ferro colocadas na entrada da boate. As barras serviam para disciplinar os frequentadores na hora de paga a conta.
O guitarrista disse também que o uso de fogos nas casas noturnas era definido em contrato, quando a banda acertava o tipo de show que faria. O músico também reiterou que a banda já tinha usado fogos dentro da Kiss e em outros locais. Segundo ele, o uso de artefatos inflamáveis dependia do repertório que a Gurizada Fandangueira iria executar.
No dia 19 de agosto, outra vítima será ouvida por carta precatória na 2ª Vara do Júri de Porto Alegre. O estudante Ruan Bolzan Martins, que mora em Porto Alegre e cursa direito na PUCRS, estava na boate na madrugada da tragédia e se salvou sem ferimentos.
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