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Irmã de Amarildo diz que policiais da UPP da Rocinha intimidam a família

Grupo de atores da ONG Rio de Paz fazem uma encenação na escadaria da Alerj antes da audiência pública sobre os casos dos desaparecidos no Estado - Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Grupo de atores da ONG Rio de Paz fazem uma encenação na escadaria da Alerj antes da audiência pública sobre os casos dos desaparecidos no Estado Imagem: Marcelo Fonseca/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

13/08/2013 12h56

A irmã do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho, disse nesta terça-feira (13), em depoimento à Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), que policiais militares que trabalham na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, intimidam os familiares que buscam respostas sobre o sumiço.

Segundo Maria Eunice Dias Lacerda, a família segue na comunidade e está muito assustada. "Os policiais ficam rondando, fotografando. Acontecem muitos casos assim na Rocinha, mas as pessoas têm medo de falar. Já chegaram na minha porta dizendo para eu parar de falar, senão eu vou ser mais um caso, mas eu não vou me calar", afirmou.

Mais cedo, Adriano Amieiro, irmão da engenheira Patricia Amieiro, desaparecida desde junho de 2008, comparou o caso ao do ajudante de pedreiro. "Tentaram dizer que minha irmã era usuária de drogas, traficante, como tentaram fazer com o Amarildo", afirmou Adriano. Muito emocionado, ele disse ainda que a família tem certeza de que Patricia foi morta pela polícia e que é preciso evitar o esquecimento. "O maior problema é que, sem o corpo, o crime continua. Esses caras tem que ser condenados, se não é dar alvará para matar e desaparecer com o corpo."

A engenheira foi vista pela última vez no dia 14 de junho de 2008. A jovem, que tinha 24 anos, estava voltando para casa –localizada na Barra da Tijuca– de carro depois de ir a uma festa no morro da Urca, na zona sul da cidade. O automóvel da vítima foi atingido por projéteis de arma de fogo em circunstâncias ainda não esclarecidas, e ela perdeu o controle do veículo. A polícia vasculhou o local atrás do corpo, mas não obteve sucesso nas buscas.

Quatro policiais militares são acusados de homicídio qualificado e ocultação do corpo. A família tem convicção de que Patrícia foi assassinada. A 6ª Vara Cível Regional do Rio de Janeiro (Barra da Tijuca) declarou em junho de 2011 a morte presumida da engenheira.

Amarildo

O ex-delegado adjunto da 15ª Delegacia Policial (DP) da Gávea, na zona sul da cidade, Ruchester Marreiros indicava em suas investigações o envolvimento do pedreiro e de sua mulher com o tráfico na comunidade. O relatório foi desconsiderado pelo delegado titular da 15ª DP, Orlando Zaccone. A irmã negou o envolvimento de Amarildo.

CÂMERAS NÃO FUNCIONARAM

  • Alessandro Buzas/Futura Press

    A ONG Rio de Paz colocou manequins na praia de Copacabana, na zona sul, em protesto contra o desaparecimento de Amarildo

  • As câmeras da UPP da Rocinha pararam de funcionar no mesmo dia em que Amarildo foi levado para lá por policiais "para averiguação". O relatório da empresa Emive mostra que, das 80 câmeras instaladas na favela, apenas as 2 da sede da UPP apresentaram problemas. MAIS

A mulher, Elizabeth, e os filhos do ajudante de pedreiro compareceram à audiência desta terça. No domingo (11), em ato de solidariedade organizado por diversas instituições da sociedade civil em alusão ao Dia dos Pais para cobrar das autoridades um desfecho para o caso, Elizabeth disse que todas as acusações de envolvimento dela e do marido com o tráfico são mentirosas e visam a desviar o foco de atenção das investigações sobre o desaparecimento do marido.

"Isso é tudo mentira. Para eles falarem isso, tem que ter prova", declarou, ao comentar o relatório apresentado pelo ex-delegado adjunto da 15ª Delegacia Policial (DP) da Gávea, na zona sul da cidade, Ruchester Marreiros. Nas suas investigações, o delegado indicava o envolvimento do pedreiro e de sua mulher com o tráfico na comunidade. O relatório foi desconsiderado pelo delegado titular da 15ª DP, Orlando Zaccone.

A mulher do pedreiro declarou ainda que, sem imagens, fica fácil falar qualquer coisa. "Estão querendo sair do foco e querendo me envolver". Segundo Elizabeth, a casa onde mora nunca foi usada por traficantes. "Minha casa nunca foi alvo de nada". Ela disse que está com medo da polícia, "porque a gente não sabe o que está no coração deles. Já que estão inventando isso, então para poder fazer alguma coisa de ruindade comigo e com minha família, está custando pouca coisa".

Cotidiano