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Polícia chama o Exército para conter protestos em cidade da BA

Grupos de sem-terra e agricultores destruíram as vidraças de duas agências bancárias e uma churrascaria em Buerarema, no sul da Bahia. Os manifestantes, que protestam contra a morte de um líder sem-terra, também colocaram fogo em placas de propaganda de um posto de gasolina - Macuco News/Divulgação
Grupos de sem-terra e agricultores destruíram as vidraças de duas agências bancárias e uma churrascaria em Buerarema, no sul da Bahia. Os manifestantes, que protestam contra a morte de um líder sem-terra, também colocaram fogo em placas de propaganda de um posto de gasolina Imagem: Macuco News/Divulgação

Mário Bittencourt

Do UOL, em Vitória da Conquista

12/02/2014 12h43

Grupos de sem-terra e agricultores destruíram na madrugada desta quarta-feira (12) as vidraças de duas agências bancárias, do Banco do Brasil e do Bradesco, em Buerarema, no sul da Bahia. Segundo a Polícia Civil, um posto de gasolina e parte do comércio local também foram danificados. Os manifestantes colocaram fogo em placas de propaganda do posto e quebraram vidros de uma churrascaria.

Durante a manifestação, eles entraram em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar, que teve de usar bombas de efeito moral para dispersar a multidão.

A polícia informou que foi solicitada nesta quarta-feira a presença do Exército na cidade, pois os policiais que estão lá – 80 da Polícia Militar e 20 da Civil – não conseguem conter os ânimos dos manifestantes.

Eles estão revoltados com a morte do líder de um assentamento rural ligado ao MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Juraci José dos Santos Santana, 44, ocorrido na madrugada desta terça, em Una, município vizinho a Buerarema.

Os agricultores afirmam que o culpado pela morte são índios tupinambás, com quem estão em conflitos desde o final do ano passado, por conta de invasões de índios a fazendas da região. A casa da vítima ainda foi alvo de incêndio. A mulher de Juraci fugiu e está desaparecida.

Mais protestos

Nesta terça, os agricultores interditaram durante todo o dia a BR-101. Eles tentaram, inclusive, destruir uma ponte. Segundo a polícia, mais de mil pessoas estavam no protesto.

Por causa dos conflitos na região, o Ministério da Justiça manteve de outubro de 2013 até o início deste mês a Força Nacional na região. A retirada da Força Nacional também é motivo de revolta dos manifestantes.

Os índios estão invadindo terras na região desde o início de 2012. Eles reivindicam a publicação da Portaria Declaratória da Terra Indígena Tupinambá de Olivença pelo Ministério da Justiça.

Demarcada em 2009, pela Funai (Fundação Nacional do Índio), a área indígena tem 47.367 hectares e está numa área entre os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema.

Segundo os índios, eles estão em mais de 50 fazendas.

Os conflitos também se acirraram nos últimos das entre índios e a Polícia Federal por conta de cumprimentos de mandados judiciais de reintegrações de posse. Mais de 20 fazendas foram reintegradas, mas os agricultores dizem que índios já reocuparam algumas propriedades.

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