Polícia investiga agressões a família confundida com carro do Uber no DF

Jéssica Nascimento

Colaboração para o UOL, em Brasília

  • Reprodução/WhatsApp

    Carro do Uber atacado por taxistas no Distrito Federal

    Carro do Uber atacado por taxistas no Distrito Federal

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma família que foi agredida por um grupo de taxistas na noite desta terça-feira (31) no Aeroporto Internacional de Brasília - Presidente Juscelino Kubitschek. Quatro irmãos sofreram agressões e tiveram o carro quebrado após serem confundidos com motoristas do Uber. O caso está sendo investigado pela 10ª DP (Delegacia de Polícia), localizada no Lago Sul. Ninguém ainda foi preso.

Uma das vítimas, Klecio Alves, disse que voltava do Recife (PE) com os irmãos e que pretendiam seguir para Ceilândia, onde moram. A cunhada dele buscou o grupo no saguão do aeroporto. Eles entraram no carro, mas foram seguidos por taxistas.

"Ficamos de férias cinco dias, sabe? Quando entramos no carro para ir embora, um taxista cortou o farol pela nossa traseira e nos fechou. Meu irmão tentou frear, mas não deu, ele bateu. Ele [taxista] foi para lateral e disse para a gente seguir, para resolver o problema da batida. Seguimos e caímos em uma armadilha", disse.

Assim que o carro de Alves estacionou, mais de 50 taxistas teriam agredido o grupo com socos, pontapés e golpes com paus, barras de ferro e até uma faca. Segundo ele, um dos irmãos levou duas facadas de raspão e teve um dente quebrado. 

Reprodução
Klecio Alves, um dos agredidos por taxistas ao ser confundido com motorista do Uber no DF, mostra os ferimentos

"Tentaram matar meu irmão. Levei uma paulada. Mais de dez pessoas bateram em mim. Estou com dores. Uma mulher gritou e disse: 'Não mata. Eles não são Uber'. O que isso significa? Eles [taxistas] são uma quadrilha armada. Estão agindo como um traficante", desabafou o agredido.

Antes teria havido um confronto entre taxistas e motoristas do Uber em um posto de gasolina perto do aeroporto. De acordo com a polícia, sete condutores do Uber foram agredidos e tiveram seus veículos danificados por um grupo de taxistas.

O caso foi registrado como dano material e lesão corporal e os carros serão periciados no Instituto de Criminalística, conforme informações dos policiais. O aplicativo ainda não foi regularizado no DF.

Em nota, o Uber disse que considera inaceitável o uso de violência. Para a empresa, todo cidadão tem o direito de escolher como quer se mover pela cidade, assim como o direito de trabalhar honestamente.

"Esperamos que motoristas parceiros não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados", informou a nota.

Para assessorar os motoristas, a empresa criou um número de telefone para casos de emergência, além de um endereço de e-mail específico para parceiros do Distrito Federal. Os dados dessas ocorrências são utilizados para fazer um mapa e, assim, facilitar o trabalho das autoridades.

"Uma vez reportados casos através destes canais, prestamos assistência aos parceiros vítimas de agressões", informou. Já a presidente do Sindicato dos Taxistas, Maria do Bomfim, disse que a situação é lamentável e triste. Para ela, os profissionais não devem resolver as indiferenças com violência.

"Agora, a Polícia Civil vai resolver tudo. Nós pedimos paciência e calma aos taxistas. Não vamos permitir violência na nossa categoria. Queremos paz entre todos os profissionais. Nada se resolve assim", disse.

Na noite de terça (31), o governo publicou nota sobre o ocorrido. "A Secretaria da Casa Civil, Relações Institucionais e Sociais lamenta o confronto ocorrido entre taxistas e motoristas do aplicativo nesta terça-feira. Diante do episódio, reforça a necessidade do projeto de lei que tramita na Câmara Legislativa desde novembro do ano passado, em regime de urgência, entrar na pauta da Casa. A regulamentação do transporte individual privado oferecido por meio de aplicativos online é fundamental para definir regras e estabelecer critérios para a utilização do serviço e assim evitar situações como essa." (Com Estadão Conteúdo)

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