Taxistas querem que Doria dialogue antes de subir velocidade nas marginais

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

O que pensa o pedestre sobre as velocidades nas marginais?

Sindicatos que representam os taxistas querem que o prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), discuta os efeitos dos limites de velocidade nas marginais Tietê e Pinheiros antes de tomar qualquer decisão sobre o tema.

O tucano fez campanha prometendo revogar a redução das velocidades nas marginais. Ele falou em elevar os limites nas pistas locais e expressas das marginais para 60 km/h e 90 km/h, respectivamente, logo no início do mandato, em janeiro.

Estatísticas de órgãos vinculados à Prefeitura de São Paulo e ao governo do Estado indicam, porém, que as reduções das velocidades determinadas na gestão Fernando Haddad (PT) ajudam a diminuir o número de acidentes e de mortes no trânsito da cidade.

Ao menos parte dos taxistas está satisfeita com a fluidez do trânsito nas marginais, que seria outro efeito da diminuição das velocidades máximas permitidas. 

"Uma questão deste porte clama por uma participação maior da sociedade e das entidades civis organizadas para que possamos chegar a um resultado satisfatório para a cidade", afirmou por meio de nota o Sinditáxi (Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo).

Para a direção do sindicato, Doria, que assumirá o cargo de prefeito em 1º de janeiro, precisa tomar decisões com amparo em "estudos técnicos de engenharia de tráfego".

O Simtetáxis (Sindicato dos Motoristas nas Empresas de Táxis no Estado de São Paulo), outra entidade que representa a categoria, defende abertamente a manutenção dos limites de velocidade atuais.

"Esta medida tem sido importante para a redução de acidentes e melhor convivência no conjunto viário da cidade pelos taxistas", disse em nota.

Pesquisa feita por este sindicato em maio verificou que 80% dos passageiros entrevistados "aprovaram a condução dos taxistas ao volante a partir da redução de velocidade na cidade". 

Os dois sindicatos querem tratar do assunto com Doria ainda neste ano, durante o período de transição.

Eduardo Anizelli/Folhapress
Doria promete subir velocidade nas marginais e manter limites no resto da cidade

Segurança dos pedestres

Barnabé Francisco de Lima, 30, é um exemplo de taxista favorável aos limites mais baixos de velocidade nas marginais. Ele avalia que a medida ajudou a reduzir acidentes entre veículos e que os pedestres também foram beneficiados. "A gente também tem que pensar no pedestre. O pedestre pode ser um de nós, pode ser alguém da família."

Dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) revelados na semana passada indicaram que o total de acidentes com mortes registrados nas marginais Tietê e Pinheiros caiu de 64 no período de julho de 2014 a junho de 2015 para 31 no período de julho de 2015 a junho de 2016. Os atropelamentos despencaram de 24 para 1.

A gestão Haddad diminuiu os limites de velocidade nas marginais em 20 de julho de 2015.

As marginais, sobretudo nas pistas locais, e suas alças atraem pedestres que circulam para chegar ou sair de áreas residenciais, empresas, universidades, escolas, shoppings, lojas, supermercados, parques e clubes situados nas próprias vias ou perto delas. Há pontos de ônibus nas marginais. As estações de trem da linha 9-Esmeralda da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) também geram deslocamentos a pé na marginal Pinheiros.

"Há muita gente que caminha pelas marginais para trabalhar e estudar", afirma Ana Carolina Nunes, integrante da Cidade a Pé (Associação pela Mobilidade a Pé em São Paulo) e do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito.

Pedestres ouvidos pelo UOL disseram que se sentem mais seguros com o limite reduzido nas marginais. As principais melhorias são nos cruzamentos de vias perpendiculares, ao lado das pistas locais, e das alças de acesso. Com os limites atuais, os veículos entram nas travessas e alças em velocidades mais baixas e os motoristas podem frear com mais segurança para a passagem dos pedestres nas faixas. 

Depois de eleito no primeiro turno, Doria sinalizou um pequeno recuo ao dizer que o limite de 50 km/h pode ser mantido em alguns trechos das pistas locais, exatamente por causa da segurança dos pedestres. Doria reafirmou, porém, que a promessa de elevar a velocidade máxima nas duas vias está mantida.

Wellington Ramalhoso/UOL
"Todo mundo é pedestre", afirma o taxista Barnabé de Lima

Opiniões divididas e menos mortes

Pesquisas realizadas neste ano revelaram que a população estava dividida a respeito da redução das velocidades máximas permitidas para veículos na cidade. Nenhum levantamento verificou a opinião específica dos moradores sobre os limites nas marginais Tietê e Pinheiros.

Pesquisa do Ibope, encomendada pela Rede Nossa São Paulo e divulgada em setembro, indicou que a proporção dos contrários à redução dos limites de velocidade oscilou para baixo entre 2015 e 2016 -- de 53% para e 50% -- e que a parcela dos que aprovam oscilou para cima – de 43% para 47%.

O resultado de setembro indicou um empate técnico entre os dois grupos já que a margem de erro era de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.

Outra pesquisa Ibope, encomendada pela Setcesp (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região) e divulgada em junho, também mostrou empate técnico, mas com o resultado numericamente invertido. A redução das velocidades recebeu a aprovação de 51% dos entrevistados e a desaprovação de 46%. A margem de erro também era de quatro pontos percentuais.

Depois da eleição, além das estatísticas reveladas pela CET na semana passada, dados do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) mostraram que as mortes por acidente de trânsito caem na capital paulista em um percentual três vezes maior do que no Estado.

De janeiro a agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado, a diminuição de mortes no trânsito foi de 16,7% na cidade e de 5,5% em todo o Estado de São Paulo.

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