Guarda preso teria sugerido à polícia que 'parceiro' cometeu chacina em SP

Do UOL, em São Paulo

  • Marcelo Gonçalves - 12.nov.2016/Sigmapress/Estadão Conteúdo

    Adriana Moreira chora sobre o caixão do filho, Jonathan, uma das vítimas de chacina

    Adriana Moreira chora sobre o caixão do filho, Jonathan, uma das vítimas de chacina

Em depoimento à Polícia Civil, Rodrigo Gonçalves de Oliveira, da Guarda Civil Metropolitana de Santo André, no ABC paulista, deu a entender que um "parceiro" teria sido responsável pela chacina que matou cinco jovens na capital paulista. Oliveira teve a prisão temporária decretada na noite de quinta-feira (10). 

Jones Ferreira Araújo, 30, César Augusto Gomes, 19, Jonathan Moreira, 18, Caíque Henrique Machado, 18, e Robson Donato de Paula, 16, desapareceram em 21 de outubro no Jardim Rodolfo Pirani, na zona leste de São Paulo. Os corpos foram encontrados no dia 6 de novembro, em uma área rural de Mogi das Cruzes, em estado avançado de decomposição, enterrados em covas rasas e cobertos com cal. 

Oliveira não teria revelado o nome desse parceiro à polícia, mas afirmou que era um homem branco, forte, de aproximadamente 1,70 metro de altura, com a cabeça raspada e aparentando cerca de 30 anos, segundo trecho do depoimento divulgado pelo programa "Fantástico" deste domingo (13). 

Os dois teriam se conhecido no velório do guarda Rodrigo Lopes Sabino, 30, colega que foi morto em setembro em um assalto no jardim Ana Maria, em Santo André. O parceiro se disse "disposto a ajudar naquilo que fosse necessário, não importante o dia e a hora", segundo o depoimento. 

Informou o carro e a placa do veículo

Oliveira suspeitava que Caíque e César tinham participado do assassinato de Sabino, de quem era colega. Ele fingiu ser uma moça loira festeira, em um perfil falso no Facebook, para atrair a atenção dos rapazes. Marcou um encontro com os jovens no dia em que desapareceram, mas afirma que não chegou a encontrá-los. 

Segundo o trecho do depoimento divulgado pelo "Fantástico", Oliveira ligou para o parceiro --cujo apelido está sendo mantido em sigilo-- para avisá-lo sobre o encontro. Ele teria dito que o grupo estava em um Santana verde e informado também a placa do veículo. 

Oliveira disse à polícia que, após chegar ao ponto de encontro, não conseguiu falar mais com o parceiro, nem com os jovens. Depois disso, disse ter saído à 1h de sábado (22 de outubro), mas que não foi para casa pois teria um encontro com uma mulher.

'Foi feito o que tinha que ser feito'

Ainda no depoimento, o guarda afirmou que, em 23 de outubro --dois dias após o desaparecimento dos jovens e quando o Santana foi encontrado vazio--, recebeu uma mensagem do parceiro e dá a entender que foi ameaçado.

O recado dizia que "foi feito o que tinha que ser feito e que era para ficar de boca fechada, pois sabia o que podia lhe acontecer e à sua família".

Crime planejado no velório do colega

Na sexta-feira (11), a delegada Elisabete Sato, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), já havia dito que, com base no depoimento do guarda civil, a chacina começou a ser planejada no velório de Sabino

Guardas, amigos policiais e não policiais se apresentavam para ele, entregando o número de celular e colocando-se à disposição.

Houve busca da equipe de Oliveira, a Romu (Rondas Ostensivas Municipal de Santo André), pelo carro roubado de Sabino, por meio do GPS instalado no automóvel. O carro foi encontrado incendiado no Jardim Rodolfo Pirani, bairro dos jovens, na zona leste de São Paulo. Lá, receberam a informação de que os dois garotos tinham praticado o latrocínio contra o guarda.

Segundo a polícia, as cápsulas calibre 38 e 12 encontradas nos corpos das vítimas são de uso da guarda municipal. Também havia cápsulas de balas calibre .40 (de uso exclusivo e lote comprado pela Polícia Militar) ao lado das covas.

Os corpos dos cinco jovens foram sepultados entre sábado (12) e este domingo (13) em dois cemitérios da zona leste de São Paulo. 

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