Em dez anos, residências de casais com filhos diminuem no país, aponta IBGE

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

  • Getty Images

    Famílias numerosas como a da foto são cada vez menos frequentes o Brasil

    Famílias numerosas como a da foto são cada vez menos frequentes o Brasil

Apesar de ainda ser a configuração mais encontrada no Brasil em 2015, a proporção de residências ocupadas por casais com pelo menos um filho caiu 7,8 pontos percentuais em relação a 2005. Dentre os "arranjos" considerados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), este foi o que registrou a maior redução nestes dez anos.

A informação está presente na SIS (Síntese de Indicadores Sociais) 2016, análise anual das condições de vida da população brasileira divulgada pelo instituto nesta sexta-feira (2).

Em 2005, o perfil representava 50,1% do total, sendo, portanto, maior que todas as outras somadas. Uma década depois, residências com casais e filhos eram 42,3% do todo. Ao mesmo tempo, dois outros tipos de arranjos registram crescimentos significativos.

A quantidade de pessoas morando sozinhas subiu de 10,4% para 14,6% na década. Casais sem filhos, por sua vez, foram de 15,2% para 20%.

As outras três configurações se mantiveram praticamente estáveis: mulher solteira com pelo menos um filho (caiu de 18,2% para 16,3%), moradores com outro tipo de parentesco (subiu de 5,9% para 6,5%), e residências com mais de uma pessoa sem ligação familiar, como as "repúblicas", por exemplo (se manteve em 0,3% nos dois anos de referência).

O relatório do IBGE tem como principal fonte de informação a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2015, além de outras pesquisas, como o Censo Demográfico de 2010 e bases de dados de ministérios como o da Educação, Saúde e Trabalho.

No documento, a mudança apontada no perfil de domicílios brasileiros é atribuída a fatores como "o aumento da esperança de vida, o declínio da fecundidade, a migração para áreas urbanas, o aumento da escolaridade e da inserção das mulheres no mundo do trabalho, a atualização na legislação sobre divórcio, separação, união estável e casamento entre pessoas do mesmo sexo".

Outro resultado direto dessa reconfiguração pode ser visto dentro do grupo de residências habitadas por "arranjos com parentesco". Subiu de 21,2%, em 2005, para 28,5%, no ano passado, a proporção de domicílios sem a presença de filhos na família. Também cresceu o indicador de um filho na família, de 34,4% para 38,1%.

As reduções nesta distribuição demonstram uma alteração mais significativa no perfil desses domicílios entre 2005 e 2015. A proporção de famílias com dois filhos caiu de 26,5% para 22,8%. Já a de domicílios com três ou mais filhos apresentou queda de 7,5 pontos percentuais –de 18% para 10,5%.

Morando com os pais

A pesquisa também aponta "um fenômeno" relacionado à idade dos filhos que vivem com pelo menos um dos pais: o prolongamento ou retorno da convivência na vida adulta.

No grupo de pessoas de 25 a 34 anos que moram na casa dos pais, a proporção era de 21,7% em 2005, chegando a 25,3% em 2015. Como a taxa de jovens que estavam empregados no ano passado e moravam com os pais era praticamente equivalente à de quem estava na mesma condição mas morava sem os pais (71,7% e 75,1%, respectivamente), o documento afasta a possibilidade de que a permanência na casa dos pais esteja associada à falta de trabalho.

A escolaridade, no entanto, foi considerada um fator diferencial entre os dois grupos da mesma faixa etária. Enquanto as pessoas que ainda moram com os pais eram mais escolarizadas --35,1% com ensino superior incompleto ou nível mais elevado, 10,7 anos de estudo, em média, e 13,2% ainda estudando--, dos que já haviam saído da casa dos pais, 20,7% tinham ensino superior incompleto ou nível mais elevado, com média de 9,8 anos de estudo, e 7,2% ainda estudavam.

A SIS 2016 destaca ainda que, de 2005 a 2015, diminuiu a proporção de famílias em que a idade do filho mais novo era de 0 a 5 ou de 6 a 14 anos de idade, de 51,2% para 40,4%. "Esse fato e também o aumento da proporção de arranjos sem presença de filho(s) relacionam-se com a queda da fecundidade, que implica em menos crianças, especialmente as mais novas, por arranjo ou mesmo a ausência de filhos nos arranjos familiares", aponta o documento.

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