Choque entre servidores e PMs termina com três feridos em Porto Alegre

Flávio Ilha*

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

  • Amapergs/Divulgação

    Em segundo dia de protestos, três ficam feridos em frente à Assembleia Legislativa do RS

    Em segundo dia de protestos, três ficam feridos em frente à Assembleia Legislativa do RS

Confronto entre servidores públicos estaduais e policiais militares no início da tarde desta terça-feira (20) resultou em pelo menos três policiais civis feridos por balas de borracha disparadas pela Brigada Militar. Este é o segundo dia de protestos contra a votação das medidas anticrise. 

Os policiais participavam da manifestação em frente à Assembleia Legislativa contra o pacote de reformas do governador José Ivo Sartori (PMDB), que começou a ser votado na tarde de segunda-feira. Os três precisaram de atendimento no Hospital de Pronto  Socorro de Porto Alegre.

Muitos policiais civis, presentes na manifestação, estavam armados. A Assembleia está cercada pela Brigada Militar desde a madrugada de sábado (17).

Por volta das 14 horas, quando os deputados se preparavam para dar início à sessão no plenário, um grupo de servidores que protestava na área externa entrou em confronto com os policiais militares responsáveis por bloquear o acesso ao prédio. Servidores soltaram rojões e derrubaram parte dos gradis colocados para manter os manifestantes a uma certa distância da entrada da Assembleia.

Flávio Ilha/UOL
Vários policiais civis estão armados no protesto de Porto Alegre

A Tropa de Choque da Brigada Militar reagiu com bombas de gás lacrimogêneo e bala de borracha. O episódio deixou servidores feridos com marcas de bala de borracha.

"Ao menos três pessoas nós sabemos que ficaram feridas e foram encaminhadas ao hospital", disse Alexandre Bobadra, do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado do Rio Grande do Sul (Amapergs). Mais cedo, às 11h30, no final da manhã, já havia ocorrido outro tumulto.

Confrontos de segunda

Na segunda-feira, em quatro momentos diferentes houve confronto entre servidores que ficaram de fora e a Brigada Militar. No plenário, a base aliada do governo mudou a estratégia de votação. Na segunda-feira, a pauta começou por protestos menos polêmicos.

Mas mesmo assim a oposição tratou de prolongar as discussões e tentar obstruir a votação. Em 13 horas de sessão, somente três projetos foram votados e aprovados: a dissolução da Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Investimento (AGDI), a redução do número de secretarias e a limitação da cedência de servidores da área de segurança pública para outros órgãos.

Na segunda, manifestantes se abrigaram de bombas em igreja

Medidas anticrise

Hoje, a base decidiu começar por projetos considerados mais impopulares. O primeiro a ser apreciado, nesta tarde, é o que prevê a extinção de fundações públicas. Se aprovado, resultará na demissão de mais de mil servidores regidos pela CLT. Desde a divulgação do pacote, os trabalhadores organizam manifestações ressaltando a importância dos serviços prestados e pedindo que a ideia de extinção seja abandonada.

Na lista de corte estão instituições de pesquisa como a Fundação de Economia e Estatística (FEE), que elabora estudos e gera dados em diferentes áreas, e a Fundação Piratini, que responde pela concessão pública de rádio e TV no Estado. O governo argumenta que está modernizando o Estado em nome de uma estrutura mais enxuta, e que as fundações se tornaram inchadas e onerosas. Parte das atividades será absorvida pelas secretarias restantes.

Sartori propôs cerca de 40 medidas de austeridade distribuídas em mais de 20 projetos. A tendência é de que a votação prossiga em ritmo lento nesta terça-feira. Inicialmente, o governo pretendia encerrar os trabalhos até quinta-feira. Agora, integrantes da base aliada já reconhecem que talvez será necessário recorrer a sessões extraordinárias após o Natal, principalmente porque as Propostas de Emenda Constitucional (PEC) precisam ser votadas em dois turnos.

* Com Agência Estado

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