Conteúdo publicado há 1 mês

Falta de água atinge 860 mil imóveis no RS; Porto Alegre pede racionamento

Os temporais que atingiram o Rio Grande do Sul deixam 860 mil domicílios sem abastecimento de água, segundo a última atualização da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento). Chuvas já deixaram 57 mortos no estado.

O que aconteceu

Em Porto Alegre, o prefeito Sebastião Melo (MDB) pediu que a população racione água em diversas regiões da capital. Em Porto Alegre, quatro das seis estações de tratamento estão paradas.

Falta de água atinge 64 municípios, segundo a Corsan. A companhia explica que a situação decorre "da severidade do desastre climático em todo o estado".

Dos 64 municípios afetados, 43 estão severamente impactadas por alagamentos de estações, unidades e sistemas da Corsan. Junto com a região metropolitana, as regiões Nordeste, Central e Sinos são as mais afetadas pelo desabastecimento no estado. No Planalto e no Pampa gaúchos, 12 municípios somam 16 mil famílias afetadas, segundo a companhia.

As cidades de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Esteio, Sapucaia e Viamão estão 100% desabastecidas. Somente Guaíba, Eldorado e 50% de Gravataí seguem com fornecimento de água no polo metropolitano, o que significa que 423 mil imóveis foram afetados com a interrupção do serviço na região. Recomendamos o uso prioritário da água para serviços básicos, já que haverá racionamento. Comunicado da Corsan.

Em Porto Alegre, a falta água para grande parte da população decorre da paralisação da maioria das estações de tratamento. A informação é do prefeito da capital, Sebastião Melo.

As bombas, na medida em que o rio está muito alto, não podem continuar funcionando, senão todas elas vão queimar e vai passar muito tempo pra recuperar. Das seis estações, quatro (estão paradas). E está faltando água pra muita gente, porque as pessoas não têm reserva. Eu quero fazer um apelo para que as pessoas façam racionamento muito forte, muito forte na cidade.
Prefeito Sebastião Melo, em entrevista à RBS TV

Não há previsão de retomada das operações. As estações de tratamento que pararam de funcionar são: Ilhas, Moinhos de Vento, São João e Tristeza.

"Nós temos que desligar o tratamento de água na estação Moinho que é uma das seis [estações] que atinge especialmente vários hospitais, que vão ter de ser atendidos por caminhão pipa porque a água atingiu essas bombas e, se eu ligar essas bombas, os motores arrebentam todos e, portanto, passaríamos vários dias sem água", seguiu o prefeito na entrevista.

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Situação da capital gaúcha piorou e muitos comércios estão sendo fechados, segundo o prefeito. As autoridades pedem a saída de moradores e comerciantes no Centro Histórico e do 4° Distrito.

Porto Alegre passa a ser agora um dos municípios mais atingidos porque de todas essas águas dos quatro rios que desaguam do Guaíba ainda tem muito para chegar aqui. Então, o nosso dia mais grave ainda não é hoje, vai ser amanhã, vai ser domingo (...). Porque não é a chuva de Porto Alegre apenas. Essa chuva parou, mas a chuva do Rio Grande do Sul não parou e as águas não pararam de chegar no Guaíba. Prefeito de Porto Alegre à RBS TV.

Ao menos 350 mil imóveis estão sem energia elétrica no estado. A informação consta no último boletim divulgado pelo governo gaúcho neste sábado.

Rio Grande do Sul tem 57 mortos pela chuva

O Rio Grande do Sul registrou 57 mortes em decorrência das fortes chuvas que atingem o estado, segundo o balanço mais recente divulgado pela Defesa Civil. O número é maior do que o registrado na enchente de setembro do ano passado, quando 54 pessoas morreram.

Estado tem 67 pessoas desaparecidas e 74 feridas. Ainda não foram divulgadas as cidades em que os óbitos ocorreram — segundo a Defesa Civil, 10 deles estão em investigação para determinar se foram de fato causadas pela tragédia.

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De acordo com o órgão, 300 dos 497 municípios gaúchos — ou seja, 60% deles — foram afetados pela enchente histórica. Ao todo, há 9.581 desabrigados e 32.640 desalojados.

Há ainda 377.497 pessoas afetadas pela tragédia, segundo o boletim do governo gaúcho. Em Santa Catarina, também foi confirmada uma morte e estragos pelas chuvas.

"Foco é salvar vidas", diz governador em live na manhã deste sábado. Segundo o político, 22 aeronaves atuam no estado para fazer resgates em áreas alagadas. "As pessoas precisam entender a gravidade do que estamos vivenciando aqui no Rio Grande do Sul", disse Leite. Ele pediu para que a população fique atenta aos alertas emitidos pelas autoridades.

Em Porto Alegre, o prefeito pediu que moradores deixem a região de Sarandi, na zona norte da cidade, pelo risco de rompimento de um dique. Ontem, a Defesa Civil do Rio Grande do Sul já havia feito uma "orientação expressa" para a evacuação de parte do centro histórico da capital gaúcha.

Na sexta (3), um portão do sistema contra inundações se rompeu em Porto Alegre e causou alagamentos. Imagens mostram os CTs do Internacional e do Grêmio completamente alagados. A rodoviária e o centro histórico da capital também foram tomados pela água.

Nível do Guaíba ultrapassa recorde. O rio atingiu 5,04 metros de altura às 10h de hoje, ultrapassando o recorde da maior cheia registrada até então, de 4,76 metros, em 1941, quando inundou grande parte do centro.

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Guaíba deve ficar acima dos 5 metros durante 2 a 3 dias, diz hidrólogo. Segundo Pedro Camargo, da Sala de Situação do Estado, o pico deve ocorrer neste intervalo devido ao volume de água que chega do rio Jacuí. Ele estima, no entanto, que o nível do Guaíba deve permanecer com números muito elevados, na casa dos quatro metros, por até 10 dias.

O Aeroporto Salgado Filho está fechado por tempo indeterminado. Todas as operações de pousos e decolagens estão suspensas em razão das chuvas.

Aulas foram suspensas nas 2.338 escolas estaduais, impactando quase 200 mil alunos. 224 delas foram danificadas e 30 estão servindo de abrigo.

Chuvas também causaram estragos em rodovias estaduais. São 128 trechos em 68 rodovias com bloqueios totais ou parciais, entre estradas e pontes.

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'Pior desastre já registrado na história do estado', diz governador

Imagens registradas por moradores e autoridades mostram casas sendo levadas pelas enchentes e pontes destruídas. O Rio Grande do Sul decretou estado de calamidade pública na quarta-feira (1º), com prazo de 180 dias — algumas regiões receberam mais de 800 milímetros de chuva. Há cidades catarinenses que anunciaram a mesma medida.

O governador Eduardo Leite (PSDB) destacou necessidade de doação de colchões, cobertores, roupas de cama e banho. São os itens mais demandado no momento, para dar suporte aos abrigos.

Um escritório de monitoramento do governo federal será instalado a partir de segunda (6) em Porto Alegre. Os ministros Waldez Góes (da Integração e do Desenvolvimento Regional) e Paulo Pimenta (Secretaria de Comunicação Social) viajarão para a cidade.

O governo federal também adiou o CPNU (Concurso Público Nacional Unificado), que seria realizado no domingo (5). O Ministério da Gestão afirmou que a nova data para o Enem dos Concursos será anunciada "assim que houver condições climáticas e logísticas de aplicação da prova". Mais de 2,1 milhões de pessoas se inscreverem em todo país. Os editais não previam uma reaplicação.

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