Operação busca grupo que desviou 14 milhões de litros de combustíveis da Petrobras

Do UOL, no Rio

  • Divulgação/MP-RJ

    A quadrilha instalou derivações clandestina na tubulação perfurada sem que houvesse a necessidade de fechar o abastecimento do produto

    A quadrilha instalou derivações clandestina na tubulação perfurada sem que houvesse a necessidade de fechar o abastecimento do produto

Agentes da Polícia Civil e procuradores do Ministério Público do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais foram às ruas na manhã desta quinta-feira (16) para cumprir 11 mandados de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão contra uma quadrilha que desviava combustível e petróleo dos dutos da Transpetro, na Baixada Fluminense, para revenda ilegal.

Até as 10h30, seis pessoas haviam sido presas --três no Rio, duas em São Paulo, e uma em Minas. As identidades deles ainda não foram reveladas.

Segundo as investigações, realizadas em conjunto pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MP-RJ (Ministério Público do Rio) e pela DPMA (Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente) da Polícia Civil fluminense, só em 2016, o grupo desviou cerca de 14 milhões de litros de gasolina e petróleo, causando prejuízo aproximado de R$ 33,4 milhões à companhia. A operação foi batizada de "Ouro Negro".

Subsidiária da Petrobras, a Transpetro atua na logística do transporte de combustível no Brasil e nas operações de importação e exportação de petróleo e derivados, gás e etanol. De acordo com o MP-RJ, o Núcleo de Inteligência para Derivações Clandestinas da Petrobras apoiou as investigações.

Os denunciados são acusados dos crimes de organização criminosa para a prática de furto qualificado de combustível e de petróleo cru. O Gaeco e a DPMA apontaram na denúncia que quadrilha atuou de junho de 2015 até este mês.

O grupo utilizava "a técnica da trepanação, que consistia na instalação de uma derivação clandestina na tubulação perfurada sem que haja a necessidade de fechar o abastecimento do produto. As ligações clandestinas foram instaladas em vários terrenos em Duque de Caxias, Magé, Nova Iguaçu [cidades da Baixada Fluminense] e, até mesmo, próximo ao Arco Metropolitano", explicou o MP-RJ, em nota.

Estrutura da quadrilha

De acordo com o Ministério Público a organização era estruturada em três grupos, cada um para um Estado. O do Rio de Janeiro era chefiado pelo ex-vereador de Duque de Caxias Denilson Silva Pessanha, conhecido como "Maninho do Posto" --nome que aparecia na urna de votação-- ou "Carioca".

Ele seria responsável pela perfuração e retirada dos combustíveis e por garantir o envio do produto para outros Estados, por meio de emissão de notas fiscais fraudulentas. Denilson também responde por crimes de tentativa de homicídio e tortura, entre outros, na Comarca de Duque de Caxias.

Já os núcleos Minas Gerais e São Paulo eram comandados, respectivamente, por Acione Dantas de Souza e Renato Junior Santos de Oliveira. Eles são apontados como receptadores do combustível furtado --que poderia ser gasolina, etanol, diesel, nafta ou o petróleo bruto.

Um dos mandados é cumprido em Cosmópolis, no interior de São Paulo, em um local onde funcionaria uma refinaria clandestina pela quadrilha para processar o óleo cru.

Apontado como "braço-direito" de Maniniho, Roniery de Oliveira Alves "estabelecia rotas dos caminhos e conduzia os motoristas até os locais de perfuração". Já Adenir de Carvalho fornecia os caminhões e Sularman de Oliveira era responsável pela atividade da trepanação.

Proprietários de postos de combustíveis em Duque de Caxias, Jane Pereira e Carlos Alberto Ferreira "sabiam da origem ilícita do combustível", segundo as investigações. Charles Augusto Ponciano e o já falecido Maximiliano Calixto Oliveira seriam responsáveis pelo arrendamento do terreno onde ocorriam os furtos e cuidariam da segurança armada do local.

Os outros denunciados eram motoristas que recepcionavam os caminhões e os dirigiam ao destino final. Alguns integrantes da quadrilha já respondem por furto qualificado de combustível em processos diversos. O UOL ainda não conseguiu contato com as defesas dos acusados.

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