Violência no Rio

Guerra no Alemão deixa mais 3 mortos, feridos e 1.900 sem aula

Do UOL, no Rio

  • Antônio Scorza/Agência O Globo

    A operação deixou três mortos e ao menos quatro feridos

    A operação deixou três mortos e ao menos quatro feridos

Ao menos três pessoas morreram e quatro ficaram feridas durante uma operação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (4). A operação deixou ainda 1.981 alunos sem aulas. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, uma escola e cinco Espaços de Desenvolvimento Infantil localizados na região não abriram as portas nesta quinta por causa dos tiroteios entre policiais e criminosos. Os agentes subiram o morro depois de mais um ataque às UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) do conjunto de favelas.

Foram apreendidos, segundo o Bope, 2 fuzis, carregadores de armas, cinco rádios transmissores, 34.980 embalagens com cocaína, 905 embalagens com maconha e 840 pedras de craque.

Crise no Alemão

A crise no Alemão se intensificou no final de abril quando teve início a operação para a instalação de uma torre blindada na favela Nova Brasília. Ao menos cinco pessoas morreram no conjunto de favelas em seis dias.

Nesta terça-feira (2) um vídeo produzido pelo jornal Voz da Comunidade viralizou nas redes sociais ao colocar moradores de outros bairros da cidade ouvindo áudios de tiroteios gravados no complexo. Ao ouvir os tiros, rajadas de metralhadores e explosões os entrevistados tentam adivinhar de qual "guerra" vêm aqueles sons.

"Estamos sofrendo uma onda de violência nos últimos dias. Até a sexta-feira [passada], foram 12 horas de tiroteios por duas semanas, sem parar. Foram cinco mortos e três policiais feridos. Resolvemos fazer o vídeo para impactar as pessoas", afirmou o jornalista Betinho Casas Novas, um dos responsáveis pelo vídeo.

Para a socióloga Julita Lemgruber, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, a escalada da violência como a observada no Complexo do Alemão e a demonstrada por criminosos na última terça-feira (2), em que incendiaram nove ônibus e tentaram tomar a comunidade da Cidade Alta, indica que o Rio pode voltar a atingir patamares de criminalidade dos anos 1990.

"É o fracasso da política da UPPs. O tráfico se fortaleceu e está mostrando que tem envergadura. Paralisaram grande parte da cidade [na terça]. Há uma falta de articulação na segurança pública do Rio, que por um lado faz incursões quase diárias em favelas, mas, com o crescimento da disputa entre as facções, crescem tiroteios. Essas populações estão tendo que conviver com um nível de violência insuportável que é pior que um país em guerra", afirmou.

Nesta quinta-feira o secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, general Carlos Alberto Santos Cruz, anunciou o envio de até 350 homens da Força Nacional de Segurança em apoio às ações de enfrentamento ao crime organizado e à violência urbana na cidade.

A ideia é que, no primeiro momento, cem policiais sejam deslocados para o Rio de Janeiro, mas o reforço seria ampliado à medida que Ministério da Justiça e governo do Estado negociem e resolvam todas as pendências burocráticas. Além da Força Nacional, o Executivo fluminense requereu aumento do efetivo da PRF (Polícia Rodoviária Federal) nas estradas fluminenses.

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