Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Operações policiais deixam mais de 10 mil alunos sem aula no Rio nesta quinta

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Twitter/Trânsito Rio/RJ

    Um ônibus foi incendiado em Madureira após confronto entre a polícia e criminosos

    Um ônibus foi incendiado em Madureira após confronto entre a polícia e criminosos

Ao menos 10.333 alunos da rede municipal do Rio de Janeiro ficaram sem aulas nesta quinta-feira (8) devido a quatro operações policiais que ocorrem na cidade. Mais cedo, um ônibus BRT foi incendiado em Madureira, zona norte da cidade, depois que um confronto entre PMs e criminosos deixou um homem morto na região.

Além da ação em Madureira, há operações nas favelas da Covanca e Rata Velha, na zona norte, e no morro Santo Amaro, na zona sul. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, 17 escolas, cinco creches e dez espaços de desenvolvimento infantil nos bairros de Costa Barros, Maré, Palmeirinha e Muquiço (Guadalupe) optaram por fechar as portas por segurança.

Desde o começo do ano letivo, as escolas da rede municipal funcionaram integralmente somente em sete dias.

A concessionária BRT Rio informou que o corredor Transcarioca foi parcialmente paralisado e atribuiu o incidente a uma manifestação. Às 11h50, as linhas afetadas eram Semidireto Galeão, Expresso e Parador Fundão (entre Madureira e Galeão).

De acordo com o Comando do 9º BPM (Rocha Miranda), a unidade foi acionada na manhã de hoje para atender um chamado próximo ao Mercadão de Madureira, que relatava o roubo de um caminhão de carga. Na ação, houve confronto e um homem foi morto. A vítima não havia sido identificada até as 12h.

A Fetranspor, sindicato das empresas de ônibus do Rio, informou que, com esse coletivo incendiado, são 101 veículos queimados desde janeiro de 2016 (58 registros esse ano e 43 no ano passado). Segundo a entidade, o prejuízo do setor ultrapassa os R$ 45 milhões.

"Diante dos graves efeitos do desequilíbrio econômico-financeiro das empresas do Rio com a não concessão do reajuste da tarifa, somada à crise financeira que reduz o número de passageiros e à recente escalada de ataques criminosos aos ônibus no Estado do Rio, não há viabilidade para a reposição dos veículos destruídos", informou a Fetranspor, por meio de nota.

Violência atrapalha aprendizagem

Professor da pós-graduação em Educação da Universidade Católica de Brasília e um dos fundadores da ONG Todos Pela Educação, Célio da Cunha afirmou em entrevista ao UOL no dia 6 de maio que acredita que o impacto da violência na escola vai além dos já esperados problemas de defasagem no currículo escolar.

"A criança falta à aula, entra na escola com medo, os professores tentam recuperar, mas já não é a mesma coisa. Mas, para além disso, há o impacto na formação. O processo de socialização num ambiente de medo tem influência na personalidade. A criança se desenvolve com medo do mundo, tem a autoimagem, a autoestima, o seu processo de cidadania prejudicado", afirma.

A Secretária Municipal de Educação informou que vê com preocupação o excesso de dias em que os alunos ficam sem ter como ir à escola e estuda qual a melhor forma para recuperar os conteúdos perdidos.

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